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Full text of "Do arquivo da catedral ao Museu da Música de Mariana"

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DO ARQUIVO DA CATEDRAL AO MUSEU DA MÚSICA DA 
ARQUIDIOCESE DE MARIANA 



Paulo CASTAGNA* 
brspvg® gmail.com 



CASTAGNA, Paulo. Do arquivo da catedral ao Museu da Música de Mariana. VIII 
ENCONTRO DE MUSICOLOGIA HISTÓRICA. Juiz de Fora: Centro Cultural 
Pró-Música, 18-20 de julho de 2008. Juiz de Fora: Editora da Universidade 
Federal de Juiz de Fora, 2010. p.72-106. ISBN: 978-85-7672-081-2. 



RESUMO. Esta comunicacao destina-se a investigar a possível trajetória do arquivo musical da catedral 
de Mariana (MG), desde suas primeiras notícias até o recolhimento de seus manuscritos remanescentes ao 
Museu da Música da Arquidiocese de Mariana e sua dispersao em distintas secoes desse acervo. As fontes 
utilizadas para este estudo sao cartas e listagens musicais do século XIX relacionadas ao arquivo da 
catedral, notícias jornalísticas e outras publicacoes do século XX, além dos próprios manuscritos do 
Museu da Música. O trabalho utiliza o método da paleoarquivologia musical - fundamentado no conceito 
de cripto-história da arte, tal como definido pelo historiador portugués Vítor Serrao - no qual sao 
relacionadas antigas listagens e descricoes de fontes ou de acervos, com as fontes remanescentes de 
acervos atuais. As correspondéncias encontradas entre informacoes dessas fontes nos permitem conhecer 
a origem de uma parte dos manuscritos que pertenceram ao arquivo da catedral e a maneira como seus 
remanescentes foram dispersos no Museu da Música, ocasiáo na qual foi perdida uma parte importante da 
informacao relacionada ao arquivo da catedral. 

1. Introdu^áo 

Assim como em trabalhos anteriores, a presente comunica§áo propóe uma 
análise paleoarquivística, procedimento que permite conhecer aspectos históricos de um 
determinado acervo musical, mesmo que este já tenha desaparecido. A 
paleoarquivologia musical foi concebida sob o conceito de cripto-história da arte, tal 
como definido pelo historiador portugués Vítor SERRÁO (2001). De acordo com esse 
autor, a cripto-história da arte dedica-se ao estudo do património artístico desaparecido, 
porém descrito em inventários, plantas, desenhos preparatórios, registros de laboratório, 
fotografias de obras alteradas, fragmentos, etc. Tal conceito, embora novo, foi criado 
para fundamentar uma prática historiográfica que já existia há algum tempo, mas ainda 
náo conscientizada de forma teórica. Por esse motivo, Serráo afirma que "a novidade do 
conceito reside, assim, na consciéncia reforgada que pode ser atribuída á 'obra 
artística morta' e á possibilidade de organizar o inquérito a seu propósito segundo 
bases de investigagao sólidas (SERRÁO, 2001:12)." Uma conseqüéncia importante da 
adocáo desse conceito é o interesse pela conexáo entre as obras descritas e sua 
obrigatória interrelacáo com o espaco, o tempo e a sociedade, em detrimento do estudo 
preferencial das obras-primas. 1 

Em realidade, boa parte do que denominamos história da música, no Brasil, 
pode ser mais propriamente denominada cripto-história da música, uma vez que foi 
predominantemente escrita náo com base nas composi§óes musicais em si, mas 



Instituto de Artes da UNESP, Sao Paulo (SP). 
1 "Pugnando sempre contra a idéia de uma História da Arte como disciplina das 'grandes obras-primas', 
dos 'grandes mestres ' e dos 'grandes ciclos determinantes ', a Cripto-História de Arte tende a enfatizar 
questóes que interesam á História sociológica na sua máxima amplitude (SERRÁO, 2001:17)." 



2 



valendo-se apenas de suas descri§óes ou mesmo de seus títulos. A cripto-história e a 
paleoarquivologia musical que aqui interessam, entretanto, náo sáo aquelas que evitam 
a abordagem da música para dar preferéncia ás fontes que a descrevem, mas sim as que 
relacionam essas descri§óes com as obras e fontes remanescentes, conectando-as ainda a 
informa§óes históricas, biográficas, litúrgicas, arquivísticas e outras, sempre com a 
finalidade de desvendar aspectos obscuros da antiga prática e produ§áo musical. 

Assim, a paleoarquivologia musical visa conhecer a situa§áo de um determinado 
acervo musical tal como era no passado e náo como se encontra no presente, por 
intermédio do cruzamento de informa§óes dos manuscritos musicais e da documenta§áo 
cartorial. Paleoarquivologia musical é uma tendéncia paralela á história de acervos, 
como é o caso do trabalho de Lília SCHWARCS (2002) sobre a real biblioteca 
portuguesa transladada ao Brasil pouco tempo depois da transferéncia do governo 
portugués para o Rio de Janeiro. 

Após o desenvolvimento, no Brasil, da edi§áo e, mais recentemente, da 
arquivologia musical, surgiu o interesse de se conhecer os arquivos musicais do ponto 
de vista histórico. Poucos acervos musicais foram alvo de pesquisas desse tipo, com 
destaque para o arquivo musical da catedral de Sáo Paulo (GABRIEL, 2006) e para o 
arquivo musical da capela imperial do Rio de Janeiro (CARDOSO, 2007). 

Muito pouco, no entanto, foi investigado sobre a história do acervo do Museu da 
Música da Arquidiocese de Mariana e quase tudo o que se sabe a respeito foi reunido 
por Maria da Concei§áo de REZENDE (1989). Qual a origem dos manuscritos musicais 
atualmente preservados no Museu da Música? Foi realmente ao redor do arquivo 
musical da catedral de Mariana que se constituiu o acervo do Museu da Música? Neste 
trabalho pretende-se responder estas e outras questóes, a partir da análise de 
documentos e informa§óes nos próprios manuscritos arquivados no Museu da Música. 

2. O arquivo musical da catedral de Mariana 

O Museu da Música, que preserva aproximadamente 3.000 grupos de 
composi§óes musicais, originárias de mais de 30 localidades mineiras, possui uma se§áo 
que inclui, entre outros, uma quantidade razoável de manuscritos que pelo menos desde 
a década de 1960 estavam na cúria metropolitana de Mariana, na época sediada na 
Igreja de Sáo Pedro dos Clérigos, na regiáo mais alta da cidade. Intitulada "Mariana" na 
década de 1970, pela musicóloga Maria da Concei§áo de Rezende, foi a primeira se§áo 
a ser reunida por D. Oscar de Oliveira, a partir de manuscritos localizados nos poróes da 
cúria metropolitana durante a década de 1960, aos quais foram agregadas novas obras 
no decorrer das décadas de 1970 e 1980. O início da organiza§áo desse material 
encontrado nos poróes da cúria deve-se a Maria Ercely Coutinho, que trabalhou no 
acervo de fevereiro de 1968 a julho de 1972. 

Qual era exatamente o conteúdo desse acervo náo é possível saber, porém uma 
notícia de 1966 no jornal O Arquidiocesano (RIBEIRO) informa que dezoito obras 
estavam sendo preparadas para exposi§áo no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, 
tendo recebido na matéria uma breve descri§áo. Os últimos cinco itens dessa rela§áo 
correspondem a obras para banda, podendo os 13 itens referentes á música sacra ser 
observados no quadro 1, que mantém as indica§óes originais, e facilmente localizáveis 
no Museu da Música, de acordo com o quadro 2. 

Quadro 1. Composi§óes sacras da Cúria de Mariana indicadas em 1966 para exposi§áo 
no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, de acordo com Wagner RIBEIRO 
(1966). Transcri§áo diplomática. 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



3 



N° 


Autor 


Título 


Formacáo 


Data 

ou séc. 


Proprietário 


1 


JJELM 


Antiphona Regina CebIí 
Laetare 


4 v.m., orq. 


1779 


António José Dias 
Ribeiro 


2 


JRDM 


Antiphona Portuguesa de 
Santa Rita 


4 v.m., orq. 


XVIII 




3 


Tristáo José 
Ferreira 


Hino a D. Joáo VI 


4 v.m., orq. 


XIX 




4 


Irmá Josephina 


Psaumes II, XII et IX 


c.1880 






5 


JJELM 


Antiphona Zelus Domus 
Tua? 


4 v.m., orq. 


1779 e 
1851 


Telles Guimaráes 


6 


Ignácio Parreiras 
das Neves 


Horatoria ao Menino Deus 
Para a Noite de Natal 




1789 


António Xavier 
Vieira 


7 


JJELM 


Antiphona Astiterunt 
(Quinta-feira Santa) 


4 v.m., orq. 


XVIII e 

1852 


Caetano de Souza 
Telles Guimaráes 


8 


Miguel Theodoro 
Ferreira 


Gradual e Offertorio ao 
Divino Spirito Sto. a 4 
com V. V. Trompas e 
Basso 




1818 




9 


Miguel Theodoro 
Ferreira 


Novena a Nossa Senhora 
da Conceicam 


4 v.m. 


antes 
1818 




10 


Lucas Corréa 


Selecta Chrisma a 4 vozes 
V. V. e Basso 




1846 




11 


Caetano de Souza 
Telles Guimaráes 


Vidi Aquam a 4 vozes 
mistas com Violino e 
Basso 








12 


Francisco Gomes 
da Rocha 


Spiritus Domini a 8 vozes 
mistas Com Violinos, 
Violleta, Trompas Oboés e 
Basso 




1795 




13 


Capitam Manoel 
Dias de Oliveira 


Magnificat a 4 vozes 
mistas com Violinos e 
Basso 




2 a met. 
XVIII 





Quadro 2. Correspondéncia entre as composicoes sacras da Cúria de Mariana indicadas 
em 1966 para exposicáo no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra e os 
manuscritos existentes no Museu da Música. 



N° 


Código atual 


Código 


Endereco 


Página-título no manuscrito 






antigo 


antigo 


(transcricáo diplomática) 


1 


CDO.0 1.272 


MA-SS22 


[131]A1G3P29 


1779 / Antiphona / Com Violini, Corni, 
Viola obrigada / Violoncello / Regina 
Celi Cartare / Autor Jozé Joaquim 
Emerico Lobo de Mesquita / Pertense a 
Antonio Joze Dias Ribeiro / Leonardo de 
Mello 


2 


CDO.01.106 


MA-ON7 


[060]A1G2P07 


Antpona Portugueza, / de Santa Rita, 
Com Violino e Basso. / Por Joze 
Rodriguez Domingues de Meirelles. 


3 


CDO.01.359 


Sem cód. 


[652]A5G1P10 


Sost.o / Soprano Coro 


4 


CDO.01.105 


MA-ON6 


[059]A1G2P06 


Homenagem / de / Veneracáo / 
Offerecido / Ao / Exmo. e Revmo. Sñr / 
D. Antonio Maria Corréa / de Sá e 
Benavides. / Bispo / De / Marianna. / Por 
Irmá Josephina. / Amor / e / gratidáo 



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4 



5 


CDO.01.252C-10 


MA-SS7 


[116]A1G3P14 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quarta 
feira / Antiphona Zelus Domus / Por / 
Jose Joaquim Emerico Lobo / Pertence a 
/ Caetano de Souza Telles Guimaraes / 
1851 


6 


CDO.01.338 


Sem 
código 


[643]A5G1P01 


Horatoria ao = {gr.2: e Credo de Joaq.m 
Paulo } / Menino Deos Para a Noite de / 
Natal peLo S. r / Ignacio Parreiras / P / De 
Antonio Xavier Vieira 


7 


CDO.01.253 C01 


MA-SS8 


[117]A1G3P15 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quinta 
feira / Antiphona Astiterunt / Por / José 
Joaquim Emerico Lobo / Pertence á / 
Caetano de Souza Telles Guimaraes / 
1852 


8 


CDO.01.021 


MA-M16 


[017]A1G1P17 


1818 {gr.3: 1818 / C S T G / 1818 } 
Gradual, e Offertorio a Divino Spirito 
S. tos / a 4 Com VV. Trompas, e Baxo / 
Por Seu Autor Miguel Theodoro Frr 3 {gr. 
2: Joaq.mTrovas Maciel }. 


9 


CDO.01.129 COl 


MA-ON20 


[073]A1G2P20 


Suprano / Novena a N Snra. da Concam. 
/ {gr.2: Gatos} / Pertence a Miguel 
Theodoro Frr.a 


10 


CDO.01.110 


MA-ON9 


[062]A1G2P09 


Selecta / Chrisma / a 4 vozes Violinos e 
Baxo / R. S. F. / 1846 / Lucas Correa 


11 


CDO.01.146 


MA-ON28 


[082]A1G2P29 


Vidiaquam a 4 Com VV., e Basso / Para 
o Espirito Sancto / {gr. 3: C S. Telles 
Guim.es} / {gr. 2: Passos} 


12 


CDO.01.144 


MA-ON27 


[080]A1G2P27 


Ad Matutinum / Invitatorium e Hymnus 
de Spiritus Domini / a oito Vozes / 
Violinos Violeta Oboés Trompas e Basso 
/ Autor Fran.co Gomes da Rocha. 


13 


CDO.01.103 COl 


MA-ON4 


[057]A1G2P04 


Magnificat a quatro / Com Violinos e 
Baxo / Pello Capm. Manoel Dias 



Em 1969, enquanto o trabalho de Maria Ercely desenrolava-se silenciosamente 
na Cúria, José Henrique Angelo (descendente de uma família de músicos da cidade de 
Baráo de Cocais) ofereceu ao arcebispo seu arquivo musical, que foi organizado e 
catalogado entre marco a agosto de 1972 pelo Pe. José de Almeida Penalva (1924- 
2002), responsável pela primeira intervencáo musicológica na cidade de Mariana. 
Quando o trabalho de Penalva já se encaminhava para sua conclusáo, a organizacáo e 
catalogacáo dos manuscritos encontrados na Cúria por D. Oscar foi transferida a Maria 
da Conceicáo de Rezende, que iniciou seu trabalho em 31 de julho 1972, com base na 
metodologia desenvolvida no acervo de Baráo de Cocais por José Penalva. Julho de 
1972 foi um momento de confluéncia do trabalho desses trés arquivistas e o ponto de 
partida ideológico para a fundacáo do Museu da Música da Arquidiocese de Mariana, 
que iria ocorrer um ano depois, em 6 de julho de 1973. 

A partir desses eventos, D. Oscar comecou a receber um número cada vez maior 
de acervos, nenhum deles táo volumoso quanto o de Baráo de Cocais, porém com uma 
riqueza incalculável de fontes histórico-musicais. O trabalho realizado no Museu da 
Música durante o projeto Acervo da Música Brasileira / Restauracáo e Difusáo de 
Partituras, da Fundacáo Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana, financiado 
pela Petrobras e coordenado pelo Santa Rosa Bureau Cultural entre 2001-2003 definiu a 
existéncia de 32 secóes para o que foi entáo denominada Colecáo Dom Oscar, 
representada por documentos doados a ele e/ou á Arquidiocese de Mariana nas décadas 
de 1970 e 1980, um pouco menor que a quantidade de secóes definidas por Conceicáo 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



5 



Rezende, uma vez que a atual se§áo "Mariana" hoje reúne as duas antigas se§óes que 
tiveram esse título, na época posicionadas em lugares diferentes do Museu da Música. 
Seguem abaixo os códigos atuais dessas se§óes, acompanhadas de seus nomes e códigos 
antigos, que existiram em apenas oito casos: 

CDO.Ol.Mariana (MA) 

CDO.02. Barao de Cocais (BC) 

CDO.03. Serro e Milho Verde (SE) 

CDO.04. Diamantina (DI) 

CDO.05. Barra Longa (BL) 

CDO.06. Ouro Preto (OP) 

CDO.07. Caranaíba (CA) 

CDO.08. Urucánia 

CDO.09. Claudio Manoel 

CDO.10. Rezende Costa 

CDO. 1 1 . Monsenhor Horta 

CDO.12. Sáo Joao del-Rei 

CDO.13. Prados 

CDO.14. Santana dos Montes 

CDO.15. Santa Rita Durao 

CDO.16. Catas Altas da Noruega 

CDO.17. Entre-Rios de Minas 

CDO.18. Rochedo de Minas 

CDO.19. Itabirito 

CDO.20. Jaboticatubas 

CDO.21. Sabará 

CD0.22. Piranga 

CD0.23. Cachoeira do Campo 

CD0.24. Catas Altas 

CD0.25. Pinheiros Altos 

CD0.26. Furquim 

CD0.27. Lamin (LA) 

CD0.28. Congonhas 

CD0.29. Lafaiete 

CDO.30. Itaverava 

CDO.31. Arraial de Abre Campo 

CD0.32. Diversos 

Até 2003 a atual se§áo "Mariana" ocupava trés posi§óes distintas do acervo: 1) 
em trés gavetas de armários-arquivo (armário 1, gavetas 1 a 3), com um total de 139 
pastas suspensas; 2) no armário 5, gaveta 1, pastas 1 a 21; 3) no armário 6, gaveta 3, 
pastas 25 a 31. Atualmente todos esses manuscritos estáo reunidos em 384 grupos de 
composi§óes musicais, acondicionados em 52 caixas horizontais nas nove prateleiras do 
novo armário 1, sob o código geral CDO.01, tal como definido no projeto Acervo da 
Música Brasileira. Se observarmos no quadro 2 as composi§óes sacras da Cúria de 
Mariana indicadas em 1966 para exposi§áo no Museu Arquidiocesano de Arte Sacra, 
percebemos que duas delas foram alocadas por Concei§áo Rezende na gaveta 1 do 
antigo armário 5, e náo no armário 1, com as demais. Isso indica que nem todos os 
manuscritos localizados na cúria na década de 1960 foram mantidos juntos no Museu da 
Música, havendo uma certa dispersáo em duas ou talvez mais se§óes desse acervo. 

A atual se§áo "Mariana" náo contém apenas os manuscritos que estavam nos 
poróes da Cúria Metropolitana (entáo na Igreja de Sáo Pedro dos Clérigos) na década de 
1960. A esse acervo foram sendo agregadas cópias do século XX, sendo difícil saber 
quando isso ocorreu (quadro 3). Também a partir da década de 1960 parecem terem sido 
agregados a esse acervo manuscritos e ás vezes impressos das mais distintas naturezas, 
embora mantivessem alguma rela§áo com a cidade de Mariana. Encontram-se lá vários 

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hinos cívicos (como o próprio Hino de Mariana), cánticos com letra de D. Oscar, obras 
para banda do século XX e outros. Foram detectados, na secáo "Mariana", manuscritos 
originários de várias instituicóes da cidade, como a Associacáo de Sáo José, a Banda 
Sáo Sebastiáo, a Banda Santa Cecília do Seminário Menor, o Seminário Maior de Sáo 
José, a Venerável Ordem Terceira de Sáo Francisco e as Escolas Profissionais do 
Colégio Salesiano. Tais manuscritos foram sendo misturados ao lote encontrado nos 
poroes da cúria, sem muita preocupacáo em identificar sua origem ou separá-los 
fisicamente. 

Destaca-se, no entanto, um grande número de manuscritos originários da Ordem 
Terceira de Sáo Francisco de Mariana, o mais antigo de 1870 (cópia de Olímpio Donato 
Correia), porém a maior parte deles datado ou atribuído á primeira metade do século 
XX. Sáo quase 50 grupos de conjuntos, dispersos pelas secóes "Mariana" (39 grupos) 
"Baráo de Cocais" (8 grupos) e "Urucánia" (1 grupo), com a indicacáo de copistas ou 
proprietários residentes em Mariana, como Julinha Josefina da Silva Bicalho e Luzia 
Bicalho (prováveis parentes do cónego Júlio de Paula Dias Bicalho), Caetano Donato 
Corréa e "Mineiro" (provavelmente Manoel António de Sousa Mineiro). 



Quadro 3. Algumas fontes do século XX na secáo "Mariana" do Museu da Música. 



Código atual 


Código 


Endere^o 


Página-título no manuscrito 




antigo 


antigo 


(transcric,áo diplomática) 


CDO.01.147 


MA-ON29 


[083]A1G2P30 


Sacris solemnis / Associacao de Sao Jose / de / 
Marianna/ 1912/0. D. C. 


CDO.01.156 


MA-ON30 


[084]A1G2P31 


Tantum ergo a 4 vozes / Com Violinos Violetta 
Flauta Clarineta / e 2 Baixos e Trompa / 
Pertencente a 0 D Correia / Mar.na 12 de 
Janeiro de 1904 


CDO.01.160 


MA-ON30 


[084]A1G2P31 


Tantum ergo / Illmo Snr / Olympio Donato 
Corréa / Por Antonio Faustino / Minas / 
Marianna 


CDO.01.166 


MA-ON31 


[085]A1G2P32 


Salve 29 de Junho! / 0 Salutaris Hostia / Do / 
M° P.e Pedro Rota / (Salesiano) / Aos seus 
illustres assignantes, em homenagem ao 
preclaro / Autor, pela occorencia da sua festa 
onomastica OFFERECE / A REVISTA SANTA 
CRUZ. 


CDO.01.210 


MA-ON40 


[094]A1G2P41 


1921 / Vene Sante Spiritus / por Justino da 
Conceicao / de 0 D Corréa 


CDO.01.215 


MA-ON41 


[095]A1G2P42 


Hymno de S. Jose / 8-3-1905 / {gr.2: Muzica} / 
Do C.el Manoel Machado de Maga.es 


CDO.01.282 C-l 


Sem cód. 


[137]A1G3P35 


Missa da Concei- /cao / Pertencente a Lu= / zia 
Bicalho / Marianna, 15-7-905. Copia de M. B. 



O intercámbio de manuscritos entre as secóes "Mariana" e "Baráo de Cocais" 
parece ter sido o mais intenso. Oito grupos da secáo "Baráo de Cocais" possuem 
manuscritos originários de Mariana, sendo seis deles representados como conjuntos 
únicos. Mas em dois grupos parece ter havido uma mistura de conjuntos de Mariana e 
de Baráo de Cocais: no atual grupo CDO.02.225 (antigo BC-F7), por exemplo, 
constituído de sete conjuntos, um deles é originário da Ordem Terceira de Sáo Francisco 
de Mariana e outro da Catedral de Mariana, enquanto os outros cinco de Baráo de 
Cocais. 2 No atual grupo CDO.02.226 (antigo BC-F8), apenas o oitavo dos onze 



2 CDO.02.225 C-4 - "Resp[onsorio] / Cathedral / Responsorio 1° Andante". 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



7 



conjuntos é originário da Ordem Terceira de Sáo Francisco de Mariana. 3 Obviamente 
náo se pode descartar a hipótese de que esses manuscritos marianenses possam ter ido 
parar no município de Baráo de Cocais antes da década de 1970, mas a situa§áo mais 
provável é sua transferéncia de uma se§áo para outra durante o processo de organiza§áo 
do acervo do Museu da Música, em uma época na qual náo se dava tanta importáncia 
quanto hoje ao registro de origem das fontes, embora esse tipo de registro seja bem mais 
abundante no Museu da Música do que, por exemplo, na cole§áo Curt Lange, 
constituída principalmente nas décadas de 1940 e 1950 e atualmente recolhida ao 
Museu da Inconfidéncia de Ouro Preto. 

A hipótese de que a maior parte dos manuscritos da se§áo "Mariana" tenha 
pertencido á catedral de Mariana no século XIX é inicialmente fundamentada na 
existéncia, nessa se§áo, de alguns manuscritos que possuem a indica§áo "catedral" em 
alguma de suas partes (quadro 4). Dos sete casos conhecidos no Museu da Música, 
quatro estáo na se§áo "Mariana", como seria de se esperar, porém trés estáo na se§áo 
"Baráo de Cocais". O primeiro desses grupos (CDO. 02.028) possui quatorze conjuntos 
e somente o terceiro está associado á catedral de Mariana. O segundo grupo 
(CDO.02.039) é o mais interessante: dentre os seis conjuntos, o primeiro possui náo 
apenas a indica§áo "Cathedral" na parte de "Violeta", como a cópia é de José Felipe 
Correa Lisboa, mestre da capela da catedral de Mariana pelo menos entre 1817-1824 e 
1832-1833. Mas o interesse do terceiro grupo (CDO.02.225) náo deixa a desejar: dos 
sete conjuntos, o C-l foi copiado em Barra Longa 4 e pode ter sido removido da se§áo 
"Barra Longa" para a se§áo "Baráo de Cocais", enquanto o C-4 está marcado 
"Cathedral" 5 e o C-7 pertenceu á Ordem Terceira de Sáo Francisco de Mariana. 



Quadro 4. Manuscritos do Museu da Música com a indica§áo "catedral". 



Código atual 


Código 
antigo 


Endere^o 
antigo 


Página-título no manuscrito 
(transcricáo diplomática) 


CDO.01.100 C-l 


MA-ON3 


[056]A1G2P03 


Cathedral / Hymnus / In Festo Pentecostes ad 
Tertiam / Por J. D. C. 


CDO.01.104 C-l 


MA-ON5 


[058]A1G2P05 


{gr. 2: Mineiro} [ras. : Cathedral] / Tiple a 4 


CDO.01.235 C-l 


MA-Fl 


[103]A1G3P01 


Officio de defuntos Pertencente a Cathedral / 
Com 4 Voses, 2 Violas, 3 Flautas 2 Trompas e 
Baixo 


CDO.0 1.237 C-l 


MA-F3 


[105]A1G3P03 


Cathedral / Resp.° 1° And. e 


CDO.02.028 C-3 


BC-TD2 


[183]A2G1P26 


Te Deum / Tiple / And. e 


CDO.02.039 C-l 


BC-ON3 


[193]A2G2P03 


Acompanhamento / Matinas do Espirito Santo / 
a 4 / Com V V Viola Flautas Clarinettas. Clarins 
Trompas e Basso / Pelo P. e Joao de D.* Castro 
Lobo / Do Snr Q M. e Joze Felippe Corr a Lisboa 


CDO.02.225 C-4 


BC-F7 


[348]A2G4P07 


Resp[onsorio] / Cathedral / Responsorio 1° 
Andante 



Novamente sem descartarmos a hipótese de que os manuscritos marianenses 
possam ter sido levados para Baráo de Cocais antes da década de 1970, é muito 
provável, pelas evidéncias acima e por vários outros casos náo relatados, que apesar das 
distintas se§óes do Museu da Música terem sido definidas no início da década de 1970 a 
partir de um critério geográfico, muitos manuscritos foram movidos de uma se§áo para 



3 CDO.02.226 C-8 - "Subvenite / Altus / D. O. T. Oliveira Lana / Andante". 

4 CDO.02.225 C-l - "Responsorios de defuntos pelo P.e Joáo de Deos / Suprano / Barra Longa / 
Responsorio 1° andante" 

5 CDO.02.225 C-4 - "Resp[onsorio] / Cathedral / Responsorio 1° Andante". 

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outra, na medida em que eram detectadas coincidéncias entre as obras. 0 critério 
geográfico sempre foi predominante, mas a existéncia de dois critérios simultáneos fez 
com que vários manuscritos originários do antigo arquivo musical da Catedral de 
Mariana tenham sido propositalmente deslocados para outras se§óes do Museu da 
Música para atender ás coincidéncias musicais, enquanto muitos outros foram movidos 
para a se§áo "Mariana", dificultando o conhecimento do acervo marianense antes do 
surgimento do Museu da Música. Além disso, outros manuscritos parecem ter sido 
movimentados por consulentes durante a década de 1990, para atender ao mesmo 
critério de coincidéncia musical, o que demandou um grande trabalho de realoca§áo 
para as posi§óes definidas por José Penalva e Concei§áo Rezende na década de 1970, 
durante o projeto Acervo da Música Brasileira (2001-2003), no qual o acervo foi 
reorganizado. A própria iniciativa de atribuir novos códigos numéricos para as antigas 
se§óes geográficas e de nomear "Cole§áo Dom Oscar de Oliveira" ás trinta e quatro 
se§óes do Museu da Música, partiu da constata§áo de que o critério geográfico náo foi o 
único para essas se§óes, apesar de receberem nomes de localidades geográficas, tendo 
estas, portanto, uma natureza mista entre arquivo e cole§áo. 

Por falta de espa§o, náo seráo aqui abordados os livros litúrgicos mencionados 
nos inventários da catedral de Mariana entre 1749-1804 (CASTAGNA, 2000, v.2, 
p. 308-3 17), dos quais alguns foram preservados no Museu da Música, a julgar pela 
coincidéncia de títulos e por notas manuscritas encontradas em seu interior: os mais 
notórios sáo os quatro volumes manuscritos das Paixóes (segundo Sáo Mateus, Sáo 
Marcos, Sáo Lucas e Sáo Joáo) do compositor seiscentista portugués Francisco Luís (?- 
1693). Interessante também é o fato desse passionário provavelmente náo ter sido 
levado a Mariana pelo seu primeiro bispo, D. Frei Manuel da Cruz (entre 1748-1764), 
como nos faz crer a etiqueta do Museu da Música, mas chegou á catedral entre 1790 e 
1804, ajulgar pelos inventários acima citados. 

Náo se conhece, entretanto, qualquer registro sobre a transferéncia do arquivo 
musical da catedral para a cúria, mas é possível que isso tenha ocorrido pela perda de 
interesse litúrgico da maior parte do repertório sacro dos séculos XVIII e XIX, 
decorrente da depura§áo do "funesto influxo que sobre a arte sacra exerce a arte 
profana e teatral" que pretendeu o Motu Proprio Tra le sollecitudini de 22 de novembro 
de 1903, promulgado pelo Papa Pio X, 6 processo responsável pelo recolhimento e 
mesmo destrui§áo de muitos arquivos musicais daquele período, incluindo os 
eclesiásticos. Quase trezentas obras podem ter sido transferidas da catedral á cúria de 
Mariana, a julgar pelo atual conteúdo da se§áo "Mariana". 

Ainda que haja outros casos a serem abordados, já é possível perceber que o 
remanescente do arquivo musical da catedral de Mariana ficou principalmente 
concentrado na se§áo "Mariana" e mesclado com manuscritos recebidos ao longo do 
século XX, porém muitos de seus manuscritos foram dispersos em outras se§óes do 
Museu da Música. O estabelecimento desses dois critérios parece ter duas origens: uma 
decorrente do trabalho pastoral do arcebispo Dom Oscar de Oliveira, que durante suas 
viagens recebia ou estimulava a doa§áo de acervos musicais das localidades próximas a 
Mariana, e outra decorrente do trabalho musicológico de José de Almeida Penalva e 
Maria da Concei§áo de Rezende, que estavam mais preocupados com os aspectos 
musicais do acervo. Penalva trabalhou exclusivamente com o acervo de Baráo de 
Cocais e, por isso, pouco ou nada interferiu na se§áo "Mariana", porém Concei§áo 
Rezende, que organizou mais de trinta se§óes, come§ando por "Mariana", aplicou o 
segundo critério, na medida em que ia detectando as coincidéncias. 

6 O texto integral dessa determinacao papal foi impresso em Mariana poucos meses após sua assinatura 
em Roma. Cf.: PIO X (1904). 

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3. O arquivo da Catedral de Mariana até 1882 

Náo é possível conhecer o conteúdo do arquivo musical da Catedral de Mariana 
antes do falecimento do mestre da capela Joáo de Deus de Castro Lobo em 1832, a náo 
ser por especula§óes a partir de alguns de seus possíveis remanescentes arquivados no 
Museu da Música. Por outro lado, o cotejamento de vários documentos a partir da 
década de 1740 que referem as atribui§óes dos mestres da capela da Catedral de 
Mariana - como provisoes, recibos, regimentos e estatutos), permite definir a rela§áo de 
cerimónias nas quais sua participa§áo era obrigatória, deduzindo-se que estas eram as 
principais oportunidades catedralícias marianenses que necessitavam um arquivo 
musical para o trabalho de seus músicos, de acordo com vários documentos consultados 
no arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, como provisóes, estatutos, 
regimento e recibos do cabido (CASTAGNA, 2004): 

1 . Apóstolos Sáo Pedro e Sáo Paulo 

2. Assungáo de Nossa Senhora 

3. Espírito Santo ou Pentecostes 

4. Imaculada Conceicáo 

5. Noite de Natal, incluindo Prima da Vigília 

6. Completas dos Sábados da Quaresma 

I. Ofícios da Semana Santa 

8. Páscoa ou Ressurreicáo 

9. Novena de Sáo José 

10. Missas da Terca de todos os domingos e dias santos de preceito 

I I . Vésperas de dias clássicos (Nosso Senhor, Nossa Senhora e Visitacao) 

12. Festas de Pontifical 

13. Fungdes extraordinárias 

14. Matinas, primeiras e segundas Vésperas e Missa nos dias de primeira ordem 

15. Primeiras Vésperas a Missa nos dias de segunda ordem 

16. Missa nos dias de terceira ordem a somente 

17. Noa (Nona) da Ascensáo do Senhor 

18. Te Deum no último dia do ano 

19. Texto da Paixáo no Domingo de Ramos e Sexta-feira Santa 

20. Ofício, Missa e Estacáo Geral no dia de Finados 

21. Aniversário da morte do Prelado 

22. Dia da Catedral no oitavário de Todos os Santos 

23. Pange lingua na procissáo de Corpus Christi 

24. Nasfestas nacionais 

25. Nas exéquias pelo Sumo Pontífice, pessoas da Família Imperial e Prelado 

Essa extensa rela§áo de cerimónias e a existéncia de um comprovado movimento 
composicional na catedral de Mariana, pelo menos durante o mestrado da capela de 
Joáo de Deus de Castro Lobo e José Felipe Corréa Lisboa (1817-1833), nos faz supor 
que esse templo já possuísse um substancial acervo de manuscritos para o suprimento 
de sua música. No entanto, a mais antiga rela§áo de obras do antigo acervo catedralício 
marianense é a "Lista das músicas pertencentes á catedraF (apéndice 6.1) elaborada 
pelo Mestre da Capela José Felipe Corréa Lisboa em c.1832, que apenas discrimina 
algumas composi§óes "renovadas" por Joáo de Deus de Castro Lobo, ou seja, por ele 
recopiadas em 1826, a pedido da própria Catedral. E se foram recopiadas é porque as 
cópias anteriores já estavam suficientemente desgastadas para continuarem a ser usadas 
pelos músicos. 

A "Lista das músicas pertencentes á catedraF de c.1832 refere-se a manuscritos 
"que nao foram entregues ao atual Mestre da Capela, o Senhor Quartel Mestre José 



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Felipe Corréa Lisboa, por falecimento do Padre Mestre Joáo de Deus", ou seja, que 
estavam com Castro Lobo e que após sua morte foram transferidas a José Felipe Corréa 
Lisboa. O documento encontra respaldo em um registro de despesa da Fábrica da 
Catedral de Mariana, segundo o qual 45$000 réis foram pagos "Ao Padre Mestre Joao 
de Deus da renovagáo das músicas das festividades da Sé, por ordem de Sua Exceléncia 
Reverendíssima" ', em 1826. A lista é sucinta, apresentando apenas nove itens, dos quais 
o penúltimo refere-se a um instrumento musical e náo a um manuscrito: 

1. Os Responsórios de Defuntos por David Peres 

2. Todo o Ofício de Defuntos por José Joaquim Emerico 

3. Responsórios de Defuntos pelo Padre Joáo de Deus 

4. As 3 Ligóes a solo dos Ofícios da Semana Santa por José Joaquim 

5. As Novenas da Conceigáo e Matinas ditas 

6. Os Ofícios velhos da Semana Santa e os 2 Responsórios de Sábado da Aleluia 

7. A Sinfonia fúnebre pelo Padre José Maurício 

8. Caixa do rabecáo e arco. Declara-se que existe a caixa, náo o arco 

9. O Hino do Espírito Santo Veni Creator Spiritus 

Mas por qual razáo essas novas cópias permaneceram com o mestre da capela 
Joáo de Deus de Castro Lobo desde sua elaboracáo, ao redor de 1826, até sua morte em 
1832? A resposta pode ser encontrada na interessantíssima documentacáo revelada por 
Vítor GABRIEL (2006) sobre a posse dos mestres da capela na catedral de Sáo Paulo 
durante o século XIX, a qual demonstra que o arquivo musical da catedral ficava 
sempre sob a guarda do mestre da capela, em sua própria casa. Quando um mestre da 
capela, por alguma razáo, náo continuava no cargo, transferia o arquivo musical para o 
novo mestre, o que era feito, no caso de seu falecimento, pela família do antigo mestre. 
Uma das ocasióes em que isso ocorreu em Sáo Paulo foi em 1749, quando Joáo 
Nepomuceno Lustosa, filho do falecido Mestre de Capela Jesuíno de Cássia Lustosa, 
entregoui na catedral o arquivo a Antonio José de Almeida, para a cerimónia de sua 
posse no cargo de mestre da capela (GABRIEL, 2006): 

"De fato, em 7 de maio de 1849, por ordem do Arcediago da Sé 
Catedral, reuniu-se na Sala do Cabido o Secretário do referido Cabido 
Padre Doutor Ildefonso Xavier Ferreira, o recém-indicado Mestre de 
Capela Antonio José de Almeida, como testemunhas o Padre Antonio 
Joaquim de Santana e Joaquim de Araújo Rangel e Silva, além de Joáo 
Nepomuceno Lustosa, füho do falecido Mestre de Capela Jesuíno de 
Cássia Lustosa, para a solenidade de posse e 'a fim de que fosse 
entregue ao novo Mestre da Capela as Músicas pertencentes á Sé, e que 
por falecimento do Mestre da Capela Jesuíno de Cássia Lustosa paravam 
em máo de seu filho'. [...]" 

Infelizmente náo foi localizada, até o momento, documentacáo referente á posse 
dos mestres da capela da Catedral de Mariana, mas a "Lista das músicas pertencentes á 
catedral" de c.1832 pode ser entendida nesse contexto. Talvez a parte mais substancial 
do arquivo que estava com Joáo de Deus de Castro Lobo já houvesse sido transferida e 
José Felipe Corréa Lisboa, mas essa pequena quantidade de manuscritos estivesse na 
catedral por ser constituída de novas cópias pagas pelo fabriqueiro. Mesmo assim, após 
a posse de José Felipe Corréa Lisboa, a catedral transferiu para ele tais músicas, como 



7 Livro de Receita e Despesa da Fábrica da Catedral de Mariana: 1749-1869, f,152v/ 144v (AEAM - 
códice P-ll,sala 20). 

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era o costume em Sáo Paulo e provavelmente em outras catedrais brasileiras e 
européias. 

Teria sido preservado no Museu da Música algum dos manuscritos relacionados 
na "Lista das músicas pertencentes á catedraT ,r ! A maioria dessas cópias náo existe 
mais no Museu da Música, embora possa ter ido parar em outro acervo. Apenas as 
cópias citadas sob o n.3 e 9 podem corresponder a manuscritos do Museu da Música de 
Mariana (quadro 5), com uma forte possibilidade para o Hino do Espírito Santo (n.9), 
cuja cópia parece ser realmente de Joáo de Deus de Castro Lobo, contendo, ainda, a 
indicacáo "catedral". Uma interessante cópia de José Felipe Corréa Lisboa das Matinas 
do Espírito Santo de Castro Lobo, 8 cujo Hino corresponde á referéncia n.9, náo foi 
citado na "Lista das músicas pertencentes á catedraF, mas parece ter sido elaborada 
pelo novo mestre da capela com a mesma finalidade de "renovacáo" das músicas, pois 
apresenta papel, tinta e caligrafia semelhante á cópia de Castro Lobo de seu Hino do 
Espírito Santo. 



Quadro 5. Manuscritos do Museu da Música provavelmente citados na "Lista das 
músicas pertencentes á catedraF de c.1832 (apéndice 6.1). 



N° 


Código atual 


Código 
antigo 


Endere^o 
antigo 


Página-título no manuscrito 
(transcri^áo diplomática) 


2 


CDO.01.235 C-l 


MA-Fl 


[103]A1G3P01 


Officio de defuntos Pertencente a 
Cathedral / Com 4 Voses, 2 Violas, 3 
Flautas 2 Trompas e Baixo 


3 


CDO.01.237 COl 


MA-F3 


[105]A1G3P03 


Cathedral / Resp.° 1° And. e 


9 


CDO.01.100 COl 


MA-ON3 


[056]A1G2P03 


Cathedral / Hymnus / In Festo 
Pentecostes act Tertium / Por J. D. C. 



Mas a "Lista das músicas pertencentes á catedral" náo é a única descricáo desse 
acervo feita no século XIX. Outras listas de obras da catedral de Mariana foram 
localizadas no códice do Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana arquivado 
no armário 8, prateleira 4 e identificado como "Despesas do Cabido de Mariana". Um 
exame detalhado do códice demonstrou tratar-se basicamente de um livro de recibos e 
registro de pagamentos a funcóes musicais pelo cabido da catedral de Mariana entre 
1871 e 1890, com dois termos de abertura: 

"Aos [espaco em branco] de agosto de 1886, tendo o abaixo 
assinado sido eleito Mestre-Capela da Catedral, mandou preparar este 
livro para o que for atinente ao desempenho desse cargo e do registro 
relativo constar em todo tempo. Mariana, 9 de outubro de i88<5." 

"Há de servir este livro para nele se registrar tudo que for 
relativo ao recebimento das quotas para a música das solenidades da 
Catedral e pagamento respectivo, e bem assim tudo o mais. Mariana, 9 
de outubro de 1888. Cónego Júlio de Paula Dias Bicalho." 

O códice A8P4 do AEAM contém trés pequenas listagens de obras da catedral e 
uma listagem maior, sem identificacáo da instituicáo de origem. As trés menores sáo 
listas de obras da catedral que estavam em tránsito entre o músico ou o mestre da capela 



"Acompanhamento / Matinas do Espirito Santo / a 4 / Com V V Viola Flautas Clarinettas. Clarins 
Trompas e Basso / Pelo P.e Joao de D.s Castro Lobo / Do Snr Q M.e Joze Felippe Corr 3 Lisboa". 
CDO.02.039 C01 (antigo BC-ON3). 

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e a Irmandade do Santíssimo Sacramento da catedral, em fun§áo de seu uso em 
cerimónias religiosas. A rela§áo de "Músicas da Semana Santa que entrego ao Senhor 
Procurador do Santíssimo Sacramento" (apéndice 6.2), elaborada pelo Mestre da 
Capela Julio de Paula Dias Bicalho em 1882 e a rela§áo de "Músicas pertencentes á 
catedral que estao em meu poder" (apéndice 6.3), elaborada pelo músico Manoel 
António de Sousa Mineiro no mesmo ano náo tém coincidéncias muito evidentes com a 
"Lista das músicas pertencentes á catedral" (apéndice 6.1) elaborada pelo Mestre da 
Capela José Felipe Corréa Lisboa em c.1832. Nos 50 anos que separaram essas listas 
talvez tenham ocorrido a perda e a incorpora§áo de muitas obras e mesmo a mudan§a 
estilística das novas composi§óes e das novas músicas adquiridas. Mas o documento de 
Manoel António de Sousa Mineiro é claro ao atestar que os manuscritos continuavam 
sendo intensamente utilizados, pois aplica a expressáo "mau estado" em trés deles, 
deixando sua interessante opiniáo em rela§áo aos "Oficios de Jerónimo para Semana 
Santa, mas em mau estado, que precisa muito copiar-se a fim de náo se perder musica 
táo bod' '. 

Por outro lado, as duas rela§óes de 1882 citam "Benedictus e Miserere" e obras 
para a cerimónia do Lava Pés de Quinta-feira Santa e para a Bén§áo ou Procissáo dos 
Santos Óleos, que podem se referir aos mesmos documentos musicais emprestados á 
Irmandade do Santíssimo Sacramento e que posteriormente ficaram em poder do 
músico Manoel António de Sousa Mineiro. Mas essas trés rela§óes de c.1832 e de 1882 
demonstram que, assim como já comprovado para a Catedral de Sáo Paulo, eram os 
mestres da capela ou os músicos responsáveis que guardavam o acervo musical em suas 
próprias casas, mesmo pertencendo á catedral. 

Uma outra "Lista das musicas da catedral" (apéndice 6.6) entregue ao 
Procurador da Irmandade do Santíssimo Sacramento em 1897, lavrada por um músico 
ou mestre da capela náo identificado, indica uma pequena rela§áo de obras que pode ter 
algum documento em comum com as listagens de 1882, mas cujas referéncias sáo muito 
vagas para se estabelecer qualquer correspondéncia segura. 

A listagem mais substancial do códice A8P4 do AEAM, no entanto, é uma 
documento avulso, anónimo e sem data, intitulado "Lista geral de todas as músicas" 
(apéndice 6.7; figuras 1-4), copiada em todas as faces de uma folha dupla, totalizando 
quatro páginas, em papel de celulose, portanto fabricada a partir da segunda metade do 
século XIX. Trés ou mais copistas elaboraram o documento, usando duas cores de tinta, 
sendo dois copistas mais freqüentes. A caligrafia é rápida e cursiva, e o documento 
indica 125 composi§óes musicais (ou 125 itens, pois alguns deles sáo coletáneas), mas 
seu título náo especifica de qual acervo sáo as obras. E bem possível que as caligrafias 
desta "Lista geral" coincidam com a de alguns dos diversos músicos que assinaram 
recibos entre 1871 e 1890, anexados ao códice A8P4 do AEAM (quadro 6), sendo a 
tinta lilás utilizada por um dos copistas da "Lista geral" muito semelhante á tinta dos 
recibos entregues pelo músico Hermenegildo do Espírito Santo ao entáo mestre da 
capela José Emílio Fernandes Valles em 1874, apesar das divergéncias na caligrafia. A 
solu§áo desse enigma, no entanto, ainda requer exames bem mais demorados. 



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13 



Figura 1. "Lista geral de todas as músicas" (transcrita no apéndice 6.7), f. 1, n.l-28r. 




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14 



Figura 2. "Lista geral de todas as músicas", f. lv, n. 29-60. 




6 0 A- 



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15 



Figura 3. "Lista geral de todas as músicas", f. 2r, n. 61-93. 




Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p. 72-76 



16 



Figura 4. "Lista geral de todas as músicas", f. 2v, n.94-125. 




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Quadro 6. Mestres da capela e músicos responsáveis pela direcáo da atividade musical 
da catedral de Mariana citados em recibos do Cabido da Catedral de Mariana 
(códice A8P4 do AEAM). 



X Cl 1UUU 


lVTp<tl*P í\*A C'AYiíA'A 


ÍVT íiclpn 

ÍT1U3IVU 


1871-1874 


José Emflio Fernandes Valles 


Hermenegildo do Espírito Santo 


1 875-1 876 

lO/JlO/U 


? 


PpHrn i lüiiriinr^ nnc \ímtnfi 
rcuiu V 1 a LlLl 1 1 Y\J uus OallLU?» 


1876 


Corréa de Carvalho 


Jacinto Augusto de Godoi, da Sociedade Filarmonica 


1879-1880 


Pretextato Batista Americano 


[Jacinto Augusto de Godoi?], da Sociedade 
Filarmonica 


1881 


José Caetano de Faria 


Manoel Pereira Bernardino, da Sociedade Filarmonica 
de Sao Francisco 


1881-1885 


Pretextato Batista Americano 


Manoel Pereira Bernardino, da Sociedade Filarmonica 
de Sao Francisco 


1885-1886 


Pretextato Batista Americano 


Manoel Antonio de Sousa Mineiro 


1887-1890 


Estevao Pedro Cotta e Júlio de 
Paula Dias Bicalho 


Manoel Antonio de Sousa Mineiro e 



A "Lista geral de todas as músicas" possui muitos aspectos interessantes. Á 
excecáo de quatro casos, no final do documento, as obras estáo citadas apenas de forma 
abreviada pelo título, evidenciando um interesse essencialmente funcional das 
referéncias. As obras estáo divididas em quatro categorias funcionais, citando-se no 
quadro 7 o número das obras incluídas em cada uma delas: 



Quadro 7. Categorias funcionais da "Lista geral de todas as músicas" (apéndice 6.7). 
Transcricáo diplomática. 



N° 


categorias funcionais 


1-42 


Musicas de endoencas 


43-99 


Graduais e Offertorios 


100-117 


Novenas 


118-125 


Ladainhas 



Se compararmos essas categorias áquelas utilizadas na discriminacáo das obras 
do arquivo de Floréncio José Ferreira Coutinho no "Termo de depósito da solfa" de 14 
de novembro de 1820 (CASTAGNA, 2006), a definicáo de categorias da "Lista geral de 
todas as músicas" nos parece bastante simples: 

- Arias, duetos italianos 

- Ladainhas 

- Missas 

- Graduais 

- Hinos 

- Memento 

- Novenas de Nossa Senhora 

- Música de Endoen^as 

- Antífonas do tempo [de Endoen^as] 

- Peda^os de músicas 

- Opera 

- Livro de cantochao 

Obviamente, a "Lista geral de todas as músicas" náo menciona óperas ou 
trechos e nem livros de cantocháo. Se desconsiderássemos as duas categorias de obras 
para Endoen§as e os "Peda§os de músicas", esta lista poderia ter sete das categorias do 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



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"Termo de depósito da solfa". Observando-se atentamente a "Lista geral de todas as 
músicas", encontramos referéncia a um único Hino (31) e a somente quatro Missas (n.2, 
8, 34, 36), náo havendo nenhum Memento. A primeira conclusáo a que se pode chegar é 
que está faltando pelo menos uma folha nesse documento, pois nenhum arquivo do 
século XIX que estivesse em pleno uso teria um desequilíbrio dessa propor§áo entre tais 
especificidades funcionais. 

É possível que o redator da "Lista geral de todas as músicas" náo tenha sido 
clérigo, haja vista uma série de erros que um conhecedor da música sacra náo cometeria, 
como no registro 52 - "Populi facti sumus" em lugar de Pupilli facti summus - e nos 
registros 64, 83 e 90 - "Domine exopo" em lugar de Domine hyssopo, além de fusóes de 
palavras e falta de letras, corrigidas por outro copista. Por outro lado, esses e outros 
aspectos podem nos ajudar a estabelecer a origem desta lista e sua rela§áo com a se§áo 
"Mariana" do Museu da Música. 

Existe alguma correspondéncia segura entre referéncias da "Lista geral de todas 
as músicas" e manuscritos da se§áo "Mariana" do Museu da Música? Alguns de seus 
títulos representam obras pouco freqüentes nos acervos mineiros - como Gradual da 
Fuga para o Egito, Selecta Chrisma e Antífona de Santa Rita - e outros possuem uma 
reda§áo peculiar - como Missa ferial para Domingo de Ramos, Gradual do Anjo 
Custódio e Te Deum seguido - elementos que nos permitem estabelecer pelo menos 
dezoito fortes correspondéncias com manuscritos do Museu da Música (quadro 8), 
embora uma compara§áo minuciosa dos demais itens dessa lista com os manuscritos da 
se§áo "Mariana" do Museu da Música possa revelar novas coincidéncias. 
Considerando-se também o fato de ter sido localizada em um livro de recibos e registros 
de pagamentos a fun§oes musicais pelo Cabido da Catedral de Mariana entre 1871 e 
1890, a "Lista geral de todas as músicas" parece realmente se referir a manuscritos que 
foram parar no Museu da Música e que provavelmente estiveram no arquivo musical da 
catedral de Mariana no século XIX. 



Quadro 8. Fortes correspondéncias entre títulos da "Lista geral de todas as músicas" 
(apéndice 6.7) e manuscritos do Museu da Música. 



"Lista geral" 


Catálogo do MMM 


N° 


Título 


Código atual 


Código 
antigo 


Página-título no manuscrito 
(transcri<;áo diplomática) 


2 


Missa ferial para 
Domingo de 
Ramos 


CDO.0 1.247 


MASS5 


Missa Ferial p a Dom° de Ramos / a 4 e 
Baxa / Pertence a / Caetano de Souza 
Telles Guim.es 


43 


Gradual - fugida 
para o Egito 


CDO.0 1.008 


MA M7 


Gradual a 4 com V.V., e= / Baxo / Fuga 
do Egipto; Autor, / 0 Snr' M.e Man.el. 
Dias de 0=1 Liveira {gr. 2: Do D.r M.el 
Joze de Alm.da, [...] Glz' [...] [...]} {gr. 
3: Alias Joao de Souza LeaL} {gr. 4: 
Pertense: Antonio Caetano} 


45 


Gradual do Anjo 
Custódio 


CDO.01.010 


MA M9 


Gradual a 4 / Com V V e Basso para o 
An=/ jo Custodio. / Angelus Domini. / 
Trindade 


55 


Beatam me dicent 


CDO.01.126 


MA ON18 


Copiado a 17 de Dezembro d' 1828 / C 
S T G / Beatam medicent a 4 / Com VV 
Viola Trompas / e Baxo / Para uzo e 
gosto de / { gr. 2: Este nao valle} 
Caetano de Souza Tellis Guimes. / { 
gr.2: e Serve mto. pa. o Dono q' he 
Felicio Pera. Da Sa..} 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



19 



56 


Selecta Chrisma - 
Ecce sacerdos 


CDO.01.110 


MA ON9 


Selecta / Chrisma / a 4 vozes Violinos e 
Baxo / R. S. F. / 1846 / Lucas Correa 


59 


Assumpta est 


CDO.01.011 


MAM10 


Offertorium / Asumpta est Maria in 
Coelum Com V V e Basso {gr.2: 
Miguel Frz' da Trind.e j {gr. 3: Alias 
M.el Frz' [da] Trind.e} {gr. 4: Alias 
Joao De Souza LeaL Netto} {gr. 5: C S 
T G} {gr. 6: Pertence Antonio Caetano 
Teix a } 


64 


Domine exopo 9 


CDO.0 1.242 C-l 


MASSl 


Domine Eysopo 


75 


Antiphona de 
Santa Rita 


CDO.01.106 


MA ON7 


Antpona Portugueza, / de Santa Rita, 
Com Violino e Basso. / Por Joze 
Rodriguez Domingues de Meirelles. 


83 


Domine exopo 


CDO.0 1.242 C-5 


MASSl 


Donmine Exsopo 


90 


Domine exopo 


CDO.0 1.242 C-5 


MASSl 


Donmine Exsopo 


95 


Responsorio de 
Sao Caetano 


CDO.01.112 


MA ONll 


Responsorio pa. / o Snr'. S. Caeta'no 
Com VV. / e Baxo p.lo Sr.o Mig.l / 
Theodoro Frr.a p.a o Uzo , e gosto / Do 
Sr. C. Joao dos Passo Frr.a 


98 


Matinas do 
Espírito Santo 


CDO.02.039 C01 


BC ON3 


Acompanhamento / Matinas do Espirito 
Santo / a 4 / Com V V Viola Flautas 
Clarinettas. Clarins Trompas e Basso / 
Pelo P.e Joáo de D.s Castro Lobo / Do 
Snr Q M.e Joze Felippe Corr 3 Lisboa 


99 


Cum 

complerentur 


CDO.01.144 


MA ON27 


Ad Matutinum / Invitatorium e Hymnus 
de Spiritus Domini / a oito Vozes / 
Violinos Violeta Oboés Trompas e 
Basso / Autor Francisco Gomes da 
Rocha. 


100 


Trezena de Sáo 
Francisco de 
Paula 


CDO.01.099 C01 


MA ON2 


Trezena de S. Fran.co de Paula / Com 
V. V. Trompas e Baxo 


112 


Te Deum - 
seguido 10 


CDO.0 1.091 C-l 


MA TDl 


Tiple/ All.o No'molto 


119 


Ladainha de 
Sustrino 


CDO.0 1.066 C02 


MA L8 


Ladainha por Serino / Andante / Baxo 


120 


Ladainha de José 
Joaquim 


CDO.02.006 C01 


BCL5 


Ladainha d' Joze Joaquim Com VV 
obues, trompa / e Baxo, Se a quizer 
comprar, Mande me 1$000 / e Ficara 
em seu puder. he querendo S.r Fulano; / 
e aD.s athe a vista que sera breve, # o 
mesmo 


122 


Ladainha em 
terceto 11 


CDO.02.016C-1 


BCL15 


Ladainha a 3 Vozes V V e Bas[so] / 
{gr.3: Ladainha a Tres Vozes} / {gr. 2: 
Pertence a / Fran. co Bar. t0 Fal[c]am} 



9 A correspondéncia aqui se dá pela caligrafia peculiar de "hyssopo" na "Lista geral de todas as músicas" 
e nos manuscritos do Museu da Música. 

10 É muito provável que o "Te Deum seguido'\ na posicáo 1 12 da "Lista geral de todas as músicas" seja o 
Te Deum anónimo de CDO.01.091 C-l (código antigo MA-TDl e endereco antigo [048]A1G1P48), 
citado no catálogo O ciclo do Ouro (BARBOSA, 1989, p. 243-244), e que Maria da Conceicáo de 
Rezende atribuiu a Manoel Dias de Oliveira no catálogo do Museu da Música e José Maria Neves 
publicou, com essa atribuicáo, em OLIVEIRA (1989). Trata-se de um dos raros Te Deum seguidos ou 
diretos (ou seja, náo alternados) em acervos mineiros. 

11 Esta é a correspondéncia menos provável, pois a "Ladainha a 3 Vozes" estava na secáo "Baráo de 
Cocais" do Museu da Música e náo na secáo "Mariana", mas foi aqui referida pois ocorreram alguns 
casos de transferéncia de documentos de uma para outra secáo durante a organizacáo de Conceicáo 
Rezende, com a finalidade de "completar" certas obras. 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



20 



Os documentos que agora podem nos ajudar a esclarecer essa rela§áo sáo duas 
folhas avulsas encontradas na pasta A5G2P15 do AEAM, intitulada "Cabido". A 
primeira e mais interessante delas contém, na parte superior, um registro de doa§áo de 
músicas á catedral de Mariana pelo entáo Arcediago José de Souza Teles Guimaráes, 
datado de 23 de novembro de 1882, e na parte inferior, o registro de seu recebimento 
pelo Bispo de Mariana, D. Antonio Maria Corréa de Sá e Benevides, datado de 30 de 
novembro do mesmo ano (apéndice 6.4). A segunda folha é uma carta do Cónego Júlio 
de Paula Dias Bicalho a Antonio Augusto da Silva Lagoa, Secretário do Cabido da 
Catedral de Mariana, datada de 13 de dezembro de 1882 (apéndice 6.5) e destinada a 
encaminhar a carta de doa§áo de Mons. Teles Guimaráes. 

A carta de 23 de novembro de 1882 oferece ao Bispo de Mariana 164 músicas 
"dos melhores autores conhecidos, para uso da Catedral" e também encaminha "a lista 
nominal de todas as pegas", solicitando que "as ditas músicas sejam acondicionadas e 
zeladas de modo que se prestem ao fim proposto", cuidado nunca antes documentado 
para essa época: 

"[...] oferego a Vossa Excelentíssima Reverendíssima uma caixa 
de músicas contendo cento e sessenta e quatro - 164 - pegas escolhidas 
dos melhores autores conhecidos, para uso da Catedral, no valor de 
quinhentos mil reis - 500$000. Tenho a honra de passar ás máos de 
Vossa Excelentíssima a lista nominal de todas as pegas e espero que 
Vossa Excelentíssima dará as providencias para que as ditas músicas 
sejam acondicionadas e zeladas de modo que se prestem ao fim 
proposto. [...]" 

Essa carta de Mons. Teles Guimaráes torna muito provável a correspondéncia 
entre a ÍL lista nominal de todas as pegas" e a "Lista geral de todas as músicas" 
encontrada no códice A8P4 do AEAM, cujos enunciados sáo muito próximos. De 
antemáo, essa correspondéncia implica em aceitar o fato de que a "Lista geral de todas 
as músicas" foi elaborada em 1882 ou pouco antes e, sobretudo, que está incompleta, 
pois esta possui 125 itens e cada página recebeu pouco mais de 30. Para totalizar as 
"i<54 pegas escolhidas dos melhores autores" faltam 39, o que sugere que essa lista teria 
mais uma folha, até agora náo encontrada. Talvez esteja em outra pasta do AEAM, 
sendo menos provável que apare§a no Museu da Música, pois sua documenta§áo foi 
mais extensamente organizada e catalogada. 

Talvez as informa§óes a seguir náo tenham rela§áo direta com os fatos 
anteriormente expostos, mas em 25 de fevereiro de 1882 o entáo subchantre da catedral, 
tonsurado Francisco Ottoni de Santa Ana, sucedeu o "cidadáo" José Américo da Silva 
no cargo de organista da catedral, em uma provisáo redigida pelo Cónego Pretextato 
Batista Americano e anotada pelo Cónego Júlio de Paula Dias Bicalho, respectivamente 
atual e futuro mestre da capela da catedral. Teria essa sucessáo alguma rela§áo com a 
elabora§áo da "Lista geral de todas as músicas" no mesmo ano, considerando-se a 
transmissáo do arquivo de um mestre da capela para seu sucessor, de acordo com o 
costume da época estudado por Vítor GABRIEL? 

De qualquer maneira, temos, agora, uma provável conjun§áo de fatos: a "Lista 
geral de todas as músicas" (apéndice 6.7) parece ser a indicada na carta de Mons. Teles 
Guimaráes (apéndice 6.4) e se refere a uma doa§áo á catedral de 164 obras. 
Paralelamente, muitas das pe§as nela indicadas encontram-se hoje na se§áo "Mariana" 
do Museu da Música, o que a relaciona diretamente com o arquivo musical da catedral 
de Mariana. Se essas 164 pe§as realmente tiverem sido incorporadas ao arquivo da 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



21 



Catedral e foram parar no Museu da Música, é possível imaginar que, dentre os 384 
grupos de composi§óes musicais da se§áo "Mariana", uma parte foi agregada a ela no 
decorrer do século XX, porém uma quantidade muito significativa corresponde a essa 
doa§áo de Mons. Teles Guimaráes. Talvez, na transi§áo do século XIX para o XX, algo 
próximo de metade do arquivo musical originou-se dessa doa§áo. 

José de Souza Teles Guimaráes é um personagem bem conhecido da história 
marianense. De acordo com Raimundo TRINDADE (1953, v.l, p.333): 

"José de Sousa Teles Guimaráes - Natural de Caeté, filho de 
Caetano de Sousa Teles Guimaraes e Margarida Umbelina de Lima 
Teles, nascido a 27 de outubro de 1840. Fez o curso secundário e 
teológico em Mariana, onde se ordenou - fámulo de Dom Vigoso - a 15 
de janeiro de 1865. Era ainda diácono quando ingressou no Cabido por 
carta imperial, de 17 de dezembro de 1864, colando-se dois dias depois 
de sua ordenagáo sacerdotal, a 17 de janeiro, na vaga de José Amador 
dos Santos, resignatário. Promovido a Chantre, em 1871, cadeira antes 
ocupada por Francisco Porfírio do Rosário, e a Arcediago, no ano 
seguinte, por carta imperial de 27 de novembro, colando-se a 12 de 
dezembro. A Santa Sé agraciou-o com as dignidades de Protonotário e 
Missionário Apostólico. Vigário Geral de Dom Silvério, provisionado a 
22 e empossado a 24 de maio de 1897. Vítima de pertinaz enfermidade, 
em que sua virtude se apurou notavelmente, faleceu a 24 de dezembro de 
1903." 

Mas de onde vieram as músicas que o arcediago José de Souza Teles Guimaráes 
doou á catedral em 1882? Mons. Teles Guimaráes era filho do major Caetano de Souza 

12 

Telles Guimaráes, em cujo auto de Inventário, aberto em 3 de julho de 1886, é 
mencionado como o mais velho de nove filhos, entáo com 46 anos de idade. Náo consta 
nenhum item musical entre os bens do falecido e, até o momento, Caetano de Souza 
Telles Guimaráes náo foi registrado em nenhuma atividade musical paga. Por outro 
lado, o nome de Caetano aparece como proprietário de pelo menos treze cópias musicais 
da se§áo "Mariana" do Museu da Música e de mais quatro cópias de outras se§óes 
(quadro 9). 

Quadro 9. Manuscritos assinados por Caetano de Sousa Teles Guimaráes na se§áo 
"Mariana" do Museu da Música. 



Código atual 


Código 
antigo 


Endereco 
antigo 


Página-título no manuscrito 
(transcricáo diplomática) 


CDO.0 1.004 


MA M4 


[005]A1G1P05 


Gradual E a ofertorio a 4 / Para Nossa Snr" 
{gr.3: que dis Benedita etve / Maria} {gr.2: 
M.el Frz' da Trind.e Alias} { gr. 3: Ailias 
Joao De Souza Leal Netto} D. Fran.ca 
Feleceanna de Jezus Itr 3 . {gr. 4: C. S. Telles 
Guim.es} 


CDO.01.011 


MAM10 


[011]A1G1P11 


Offertorium / Asumpta est Maria in Coelum 
Com V V e Basso {gr.2: Miguel Frz' da 
Trind.e} {gr. 3: Alias M.el Frz' [da] Trind.e} 



11 AEAM - Códice 123, Auto 2492, 2° Ofício: "1889/Juízo M. al de Marianna. / Inv'" Major Caetano de / 
Souza Telles Guim. es / Inventario dos bens que ficaráo p r fallecimento do Major / Caetano de Sz" Telles 
Guim. es , /fallecido a 29 de Janr." de 1886." 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



22 



Código atual 


Código 
antigo 


Endereco 
antigo 


Página-título no manuscrito 
(transcricáo diplomática) 








{gr. 4: Alias Joáo De Souza LeaL Netto} {gr. 
5: C S T G} {gr. 6: Pertence Antonio Caetano 
Teix a } 


CDO.01.126 


MA ON18 


[071]A1G2P18 


Copiado a 17 de Dezembro d' 1828 / C S T G 
/ Beatam medicent a 4 / Com VV Viola 
Trompas / e Baxo / Para uzo e gosto de / {gr. 
2: Este náo valle} Caetano de Souza Tellis 
Guimes. / {gr.2: e Serve mto. pa. o Dono q' he 
Felicio Pera. Da Sa..} 


CDO.01.146 


MA ON28 


[082]A1G2P29 


Vidiaquam a 4 Com VV., e Basso / Para o 
Espirito Sancto / {gr. 3: C S. Telles Guim.es} 
/ {gr. 2: Passos} 


CDO.01.172 


MA ON34 


[088]A1G2P35 


Novenna do Martyr S.m Sebastiao / A 4 
Vozes com / Violinos e Baixo / de / C. S. T. 
G. 


CDO.0 1.242 C-6 


MASSl 


[110]A1G3P08 


Rio de S. Joáo a 14 Marco de 1826 / Musicas 
para a Bencáo e / Procissao de Ramos / a 4 
Vozes 2 V. V. e Baxo para o uso / De Joao da 
Motta Teixeira v/ {gr. 2: Pertencea / Caetano 
de Souza Telles Guim.es / Pelo Cap.am 
Manoel Dias de Oliveira} 


CDO.0 1.245 C-2 


MASS3 


[112]A1G3P10 


Para a Procissáo de Dom° de Ramos / Gloria 
Laus - / 2° Coro - / Pertence a - / Caetano de 
Sz a Telles Guim.es 


CDO.0 1.247 


MASS5 


[114]A1G3P12 


Missa Ferial p a Dom° de Ramos / a 4 e Baxa / 
Pertence a / Caetano de Souza Telles Guim.es 


CDO.0 1.250 C-2 


MASS6 


[115]A1G3P13 


Antiphona Benedictus / Traditor Iha / 
Miserere {gr.2: Pertence a / Caetano de Souza 
Telles / Guim.es 


CDO.01.252C-10 


MASS7 


[116]A1G3P14 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quarta feira 
/ Antiphona Zelus Domus / Por / Jose Joaquim 
Emerico Lobo / Pertence a / Caetano de Souza 
Telles Guimaraes/ 1851 


CDO.01.253 COl 


MASS8 


[117]A1G3P15 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quinta feira 
/ Antiphona Astiterunt / Por / José Joaquim 
Emerico Lobo / Pertence á / Caetano de Souza 
Telles Guimaráes / 1852 


CDO.01.261 C-l 


MASS15 


[124]A1G3P22 


Domine tu mihi lavas pedes, e Mandatum / 
Com / VV, Violas, Piston, Oboes, Trombáo, 
Ophicleid e / e Baxo / Pertence a / Caetano de 
Souza Telles Guim.es 


CDO.0 1.267 


MASS18 


[127]A1G3P25 


Venite adoremus, / e Popule meus. / P.a Sexta 
fr.a/ Santa/ {gr. 2: Pertentce a / Caetano de 
Souza Telles Guim.es / Frz 


CDO.01.384 


Sem cód. 


[828]A6G3P31 


Duettos / De Violino, e Violoncelo / Seu 
Autor Pleyel. / Pertence a / Caetano de Souza 
Telles 


CDO.02.238 COl 


BCF16 


[357]A2G4P16 


Psalmo para Anginhos / Pertence a / C. S. T. 
Guim.es 


CDO.02.238 C02 


BCF16 


[357]A2G4P16 


1842 / C.S. T. G. / Incomendacáo para 
Parvulus para / uzo de seu dono Joaq.m do 
Monte 


CDO.02.040 COl 


BCON4 


[194]A2G2P04 


Invitatorio / Himnos, e Antiphona de N. S a / 
das Dores / D / Com V. V. e Baxo {gr.3: C. S. 
T. Guim.es} / [rasurado 4 palavras] / [rasurado 
4 palavras] / [rasurado 5 palavras] / M. J. M. / 
A 3 d Agosto de 1 897 / [rasurado 3 palavras] 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



23 



Apenas trés dos manuscritos do quadro 9 parecem ser cópias de Caetano de 
Souza Telles Guimaraes (CDO.01.126, CDO.01.172 e CDO.02.238 C-2), sendo o mais 
antigo de 1828, enquanto os demais sao cópias de outros músicos que receberam um 
sinal de propriedade do major Caetano de Souza. Um importante manuscrito, hoje 
pertencente ao arquivo da Lira Sanjoanense de Sáo Joáo del-Rei, possui o mesmo tipo 
de identificacáo de Caetano de Souza Telles Guimaráes, além de um carimbo com as 
iniciais "CSTG": trata-se dos Trés grandes duetos concertantes de Gabriel Fernandes 
da Trindade, descritos em CASTAGNA (1997). Haveria alguma relacáo entre esse 
manuscrito, o acervo de Caetano de Souza, a doacáo de Mons. Teles Guimaráes e o 
arquivo musical da catedral de Mariana? Tudo indica que sim. 

O major Caetano de Souza Telles Guimaráes parece ter sido um copista musical 
em sua juventude, cerca de 50 anos antes de falecer em 29 de janeiro de 1886, talvez 
tenha sido até um músico amador. Apesar de náo exercer a profissáo de músico no 
decorrer de sua vida, passou a colecionar cópias de outras pessoas e anexar a elas sua 
indicacáo de propriedade. A documentacáo acima descrita nos sugere enfaticamente que 
o arquivo musical de Caetano de Souza tenha sido doado pelo seu filho á Catedral de 
Mariana quase trés anos antes de seu falecimento, talvez já esperado, como um tipo 

1 3 

informal de "economia espiritual". 

Haveria, no entanto, correspondéncia entre itens da "Lista geral de todas as 
músicas" e manuscritos assinados por Caetano de Sousa Teles Guimaráes na secáo 
"Mariana" do Museu da Música? Á excecáo dos "Duetos de violino e violoncelo" de 
[Ignaz] Pleyel (CDO.01.384), os demais exibem uma incrível correspondéncia com a 
secáo "Mariana" (quadro 10), fazendo-nos crer que esses sáo realmente os fatos que 
ocorreram em 1882. Os "Duetos de violino e violoncelo" de Pleyel podem ter pertencido 
a uma categoria de música instrumental, 'miscelánea' ou 'outros', da folha perdida da 
"Lista geral" de cerca de 1882, sendo também possível que os Trés grandes duetos 
concertantes de Gabriel Fernandes da Trindade estivessem no mesmo acervo e na 
mesma categoria da mesma "Lista geral". Estas sáo obviamente especulacóes, mas 
nunca antes houve qualquer indício a respeito. 



Quadro 10. Manuscritos assinados por Caetano de Sousa Teles Guimaráes na secáo 
"Mariana" do Museu da Música e sua correspondéncia com itens da "Lista geral 
de todas as músicas" de c.1882. 



"Lista geral" 


Catálogo do MMM 


N° 


Título 


Código atual 


Página-título no manuscrito 
(transcricáo diplomática) 






CDO.01.384 


Duettos / De Violino, e Violoncelo / Seu 
Autor Pleyel. / Pertence a / Caetano de Souza 
Telles 


2 


Missa ferial para 
Domingo de Ramos 


CDO.01.247 


Missa Ferial p a Dom° de Ramos / a 4 e Baxa / 
Pertence a / Caetano de Souza Telles Guim.es 



A economia espiritual era uma prática usual regulada pela Igreja Tridentina e pelas Constituicoes 
Primeiras do Arcebispado da Bahia, sendo uma maneira de se levar bens materiais para além túmulo. Isso 
ocorria através de pedidos, geralmente em testamentos, de missas, música, ofícios, acompanhamento do 
cortejo, escolha da mortalha e lugar do enterro, também envolvendo gestos de piedade, como doacoes, 
"quartacáo" de escravos e inclusáo de parentes na partilha dos bens. 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



24 



6 
7 


Bengao dos Ramos 
Procissao de Ramos 


CDO.01.242 C-6 


Rio de S. Joáo a 14 Marco de 1826 / Musicas 
para a Bencao e / Procissao de Ramos / a 4 
Vozes 2 V. V. e Baxo para o uso / De Joao da 
Motta Teixeira v/ {gr. 2: Pertencea / Caetano 
de Souza Telles Guim.es / Pelo Cap.am 
Manoel Dias de Oliveira} 


9 

14 


Ofício para 4" 'feira de 
Trevas 

Ofícios Copiados de 
novo para 4." e 5."feira 


CDO.01.252 C-10 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quarta feira 
/ Antiphona Zelus Domus / Por / Jose Joaquim 
Emerico Lobo / Pertence a / Caetano de Souza 
Telles Guimaraes /1851 


10 
14 


dito para 5"feira sancta 
Ofícios copiados de novo 
para 4." e 5."feira 


CDO.01.253 C01 


Tiple / Officio de Indoencas Para Quinta feira 
/ Antiphona Astiterunt / Por / José Joaquim 
Emerico Lobo / Pertence á / Caetano de Souza 
Telles Guimaráes / 1852 


13 

93 


Antífonas para 
Benedictus e Miserere de 
4." 5." e 6° 'feira santa 
Traditor autem ou 
Miserere 


CDO.01.250 C-2 


Antiphona Benedictus / Traditor Iha / 
Miserere {gr.2: Pertence a / Caetano de Souza 
Telles / Guim.es 


21 


Venite adoremus para 
6."feira santa 


CDO.01.267 


Venite adoremus, / e Popule meus. / P.a Sexta 
fr.a / Santa / {gr. 2: Pertentce a / Caetano de 
Souza Telles Guim.es / Frz 


24 


Gloria Laus para 
Domingo de Ramos 


CDO.01.245 C-2 


Para a Procissáo de Dom° de Ramos / Gloria 
Laus - / 2° Coro - / Pertence a - / Caetano de 
Sz a Telles Guim.es 


27 
15 


Domine tu mihi lavas 
pedes para 5." fr." santa 
Mandatum para 5."fr." 
santas 


CDO.01.261 C-l 


Domine tu mihi lavas pedes, e Mandatum / 
Com / VV, Violas, Piston, Oboes, Trombáo, 
Ophicleid e / e Baxo / Pertence a / Caetano de 
Souza Telles Guim.es 


31 


Hino a N. Senhora das 
Dores 


CDO.02.040 COl 


Invitatorio / Himnos, e Antiphona de N. S a / 
das Dores / D / Com V. V. e Baxo {gr.3: C. S. 
T. Guim.es} / [rasurado 4 palavras] / [rasurado 
4 palavras] / [rasurado 5 palavras] / M. J. M. / 
A 3 d Agosto de 1 897 / [rasurado 3 palavras] 


55 


Beatam me dicent 


CDO.01.126 


Copiado a 17 de Dezembro d' 1828 / C S T G 
/ Beatam medicent a 4 / Com VV Viola 
Trompas / e Baxo / Para uzo e gosto de / {gr. 
2: Este náo valle} Caetano de Souza Tellis 
Guimes. / {gr.2: e Serve mto. pa. o Dono q' he 
Felicio Pera. Da Sa..} 


59 


Assumpta est 


CDO.01.011 


Offertorium / Asumpta est Maria in Coelum 
Com V V e Basso {gr.2: Miguel Frz' da 
Trind.e} {gr. 3: Alias M.el Frz' [da] Trind.ej 
{gr. 4: Alias Joáo De Souza LeaL Nettoj {gr. 
5: C S T G} {gr. 6: Pertence Antonio Caetano 
Teix a } 


86 
46 


Vidi aquam 
Vidi aquam 


CDO.01.146 


Vidiaquam a 4 Com VV., e Basso / Para o 
Espirito Sancto / {gr. 3: C S. Telles Guim.es} 
/ {gr. 2: Passos} 


91 


Benedicta et venerabilis 
est 


CDO.01.004 


Gradual E a ofertorio a 4 / Para Nossa Snr" 
{gr.3: que dis Benedita etve / Maria} {gr.2: 
M.el Frz' da Trind.e Alias} { gr. 3: Ailias 
Joáo De Souza Leal Netto } D. Fran.ca 
Feleceanna de Jezus Itr 3 . {gr. 4: C. S. Telles 
Guim.es} 


102 


Novena S. Sebastiao 


CDO.01.172 


Novenna do Martyr S.m Sebastiáo / A 4 
Vozes com / Violinos e Baixo / de / C. S. T. G. 



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25 



114 
115 


Encomendagáo para 
parvulos 

Encomendagáo para 
parvulos 


CDO.02.238 C02 


1842 / C.S. T. G. / Incomendacáo para 
Parvulus para / uzo de seu dono Joaq.m do 
Monte 


113 


Psalmo para anginhos 


CDO.02.238 COl 


Psalmo para Anginhos / Pertence a / C. S. T. 
Guim.es 



A esta altura existem muitos elementos para se acreditar que, das cerca de 300 
obras que estavam na catedral em inícios do século XX, mais da metade foram doadas 
em 1882 por José de Souza Teles Guimaráes e parecem ter pertencido ao arquivo 
musical de seu pai, Caetano de Sousa Teles Guimaráes. O restante deve ter sido 
acumulado na catedral em outros períodos, talvez desde fins do século XVIII, mas a 
documenta§áo aqui estudada sugere que a chegada desses papéis na catedral náo seja 
táo antiga quanto anteriormente suposta, o que foi possível demonstrar no caso do 
passionário de Francisco Luís, chegado á catedral entre 1790 e 1803 e náo no período de 
D. Frei Manuel da Cruz (1748-1764), como era anteriormente suposto. A própria 
"renovagao das músicas das festividades da Sé" por Joáo de Deus de Castro Lobo em 
1826 (apéndice 6.1) e a existéncia de manuscritos dos Ofícios de Jerónimo [de Souza 
Lobo] em mau estado, que um copista de 1882 assinalou "que precisa muito copiar-se a 
fim de nao se perder musica tao boa" (apéndice 6.1) sáo indícios de que náo se 
mantinham papéis muito envelhecidos no arquivo musical da catedral de Mariana e que 
a elabora§áo de novas cópias ou a chegada de outras foram fatos constantes durante 
todo o século XIX. A existéncia de várias cópias de uma mesma obra, tanto na se§áo 
"Mariana" quanto em outras do Museu da Música e da maioria dos acervos musicais 
brasileiros somente corrobora a existéncia desse costume. 

Esta constata§áo sugere o quanto foi dinámico o arquivo musical da catedral de 
Mariana no século XIX e talvez o de outras catedrais brasileiras nesse século e no 
anterior. Se temos de assumir que uma quantidade significativa de manuscritos da atual 
se§áo "Mariana" do Museu da Música náo estava na catedral durante o século XVIII ou 
na maior parte do século XIX, também passamos a ter elementos para compreender 
melhor a movimenta§áo que esse acervo teve nessa fase. Sabemos que esse fenómeno 
náo foi isolado. Na segunda metade do séc. XIX, o arquivo da Catedral de Sáo Paulo, 
por exemplo, foi ampliado ou renovado, pela incorpora§áo de certa quantidade de 
cópias feitas por músicos locais (o mais representado é Joáo Nepomuceno de Souza), ou 
entáo trazidas de outros estados e até do exterior, como informa Carlos Penteado de 
REZENDE em 1954 (v.2, p. 258): 

"Aos 25 de janeiro [de 1864], na Sé Catedral, realizam-se festejos 
especiais em homenagem ao padroeiro da cidade. Foram executadas 
novas músicas trazidas de Roma pelo Cónego Joaquim do Monte 
Carmelo. Tomaram parte nas solenidades os membros da 'Sociedade 
Musical Paulistana', regidos pelo maestro António José de Almeida e 
pelo mestre de capela Joaquim da Cunha Carvalho, além do organista da 
Catedral, Hermenegildo José de Jesus, e de mogos do coroT 

A incorpora§áo do arquivo de Caetano de Sousa Teles Guimaráes ao arquivo 
musical da Catedral de Mariana, que naquele momento deve ter sido guardado na casa 
do entáo mestre da capela Pretextato Batista Americano ou dos músicos Manoel Pereira 
Bernardino e Manoel António de Sousa Mineiro, diretores da música da catedral nos 
anos subseqüentes a 1882, deve ter representado um evento comum, ao menos na 



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segunda metade do século XIX, que nos ajuda a explicar a intensa circula§áo e 
dispersáo dos papéis de música em Minas Gerais, no período anterior ao século XX. 

4. Consideracoes finais 

Até recentemente poucas informa§óes concretas haviam sido divulgadas a 
respeito da história do arquivo musical da catedral de Mariana, em contraposi§áo aos 
estudos já realizados sobre os arquivos musicais da capela imperial do Rio de Janeiro e 
da catedral de Sáo Paulo. Mais do que uma mera curiosidade, a história desses acervos 
mudam substancialmente nossa compreensáo a respeito dos mesmos, justificando 
esfor§os nesse sentido. 

O arquivo musical da catedral de Mariana náo permaneceu nessa igreja até o 
presente, mas foi de lá removido em época incerta, sendo até o presente desconhecidos 
quaisquer registros a respeito. Por outro lado, a documenta§áo aqui referida aponta para 
o fato de que a se§áo "Mariana" do Museu da Música contem uma parcela substancial 
do arquivo da catedral de Mariana, apesar de náo exclusivamente dele e embora alguns 
manuscritos da catedral tenham sido movidos para outras se§óes do Museu da Música. 

Mas também é possível perceber alguns movimentos que ocorreram no arquivo 
da catedral enquanto este ainda estava em uso: uma parte foi sendo acrescentada pela 
própria atividade musical dessa institui§áo, outra parte dois sendo periodicamente 
recopiada com a finalidade de preservar (e organizar) o repertório (e náo 
necessariamente os manuscritos que o contém) e uma terceira parte foi recebida de fora, 
por doa§áo e eventualmente compra. A renova§áo de 1826 e a doa§áo feita pelo 
arcediago José de Souza Teles Guimaráes em 1882 sáo fatos concretos, mas, de acordo 
com a documenta§áo localizada, é muito provável que esta doa§áo seja de obras do 
arquivo musical de seu pai, o major Caetano de Souza Telles Guimaráes, que durante 
sua vida colecionou cópias de outros músicos. Tais fatos mudam um pouco a 
antiguidade que se imaginava desse acervo, particularmente nas discussóes das décadas 
de 1960 a 1980, quando se valorizou muito o século XVIII, deixando-se o XIX em 
segundo plano. O arquivo musical da catedral de Mariana que chegou até nós parece ser 
principalmente constituído de material a ele agregado no decorrer do século XIX e náo 
do XVIII. 

Parece-me que a mais interessante dessas constata§óes é o fato de que o arquivo 
da catedral náo foi um acervo inerte, que pelas máos do destino foi parar no Museu da 
Música, mas o que chegou até nós sáo as últimas cópias em uso, na transi§áo do século 
XIX para o XX, uma vez que as mais antigas foram sendo recopiadas e mesmo 
destruídas. Ou seja, o que pudemos fisicamente conhecer do arquivo da catedral de 
Mariana foi sua última configura§áo, sendo toda sua história anterior investigável 
apenas através da paleorquivologia. Isso nos faz supor que as cópias mais antigas que 
existem na se§áo "Mariana" do Museu da Música, incluindo aquelas do século XVIII, 
sáo de obras menos executadas e, por isso, cujos manuscritos sofreram menos desgaste. 
Usá-las como amostra do repertório praticado na catedral de Mariana é portanto 
temerário e pode até constituir um erro interpretativo. 

Por outro lado, é interessante perceber que é possível estudar este e outros 
acervos musicais enquanto entidades dinámicas e náo apenas como conjuntos inertes de 
manuscritos musicais. A arquivologia musical representou uma importante renova§áo 
na musicologia brasileira, mas essa disciplina aborda os acervos em sua configura§áo 
final e cristalizada, sem muita considera§áo pela sua história. Nesse aspecto pode-se 
dizer que a arquivologia musical estuda os acervos assim como a anatomia estuda um 



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ser humano, tendo pouco a dizer sobre sua dinámica, sua constitui§áo ao longo do 
tempo, suas fun§óes, seu impacto no meio e sua vida. 

Ver acervos musicais enquanto entidades vivas e nao apenas como longas e 
imutáveis seqüéncias de obras talvez nos ajude a encontrar para eles novas fun§óes que 
beneficiem a todos que o cercam. Náo é possível continuar organizando e catalogando 
acervos sem saber claramente para que estamos fazendo isso. Afora as necessidades 
pessoais e institucionais relacionadas á equipe de trabalho, é fundamental encontrar e 
estimular a utiliza§áo desses acervos para finalidades mais amplas e diretamente 
relacionadas a reais interesses e necessidades sociais. 

Assim como os musicólogos já perceberam que acervos musicais podem ser 
fontes de lucro e currículo para si mesmos, os administradores desses acervos já estáo 
percebendo que estes também sáo uma fonte de lucro e prestígio para suas institui§óes. 
Mas isso é o bastante? É possível sustentar a atividade musicológica exclusivamente 
com base nesses aspectos? Certamente náo. Se os acervos musicais náo tiverem uma 
clara fun§áo para a sociedade que financia sua preserva§áo, além dos aspectos 
meramente económicos, estaráo fadados ao esquecimento ou mesmo á destrui§áo. 

Creio que náo temos a§óes táo interessantes a propor em rela§áo aos acervos 
musicais quanto o que, no passado, fizeram os músicos que os constituíram. Nossa 
visáo académica traz os méritos do olhar científico, da organiza§áo sistemática, da 
agrega§áo de valor e da obten§áo de recursos, mas náo consegue revitalizar a 
criatividade com a qual os arquivos foram constituídos e usados no passado. Talvez 
fosse interessante desenvolvermos um novo olhar sobre acervos musicais, mais 
relacionados á sua possibilidade de utiliza§áo no presente e menos preocupados com 
seus aspectos museológicos ou com os métodos de organiza§áo e cataloga§áo. Métodos 
sáo fundamentais para o trabalho científico, mas precisamos té-los como uma ponte 
para a transforma§áo da realidade e náo como fins em si mesmos. 

5. Referéncias Bibliográficas 

BARBOSA, Elmer Corréa (org.). O ciclo do ouro: o tempo e a música do barroco 
católico; catálogo de um arquivo de microfilmes; elementos para uma história da 
arte no Brasil; Pesquisa de Elmer C. Corréa Barbosa; acessoria no trabalho de 
campo Adhemar Campos Filho, Aluízio José Viegas; Cataloga§áo das músicas do 
séc. XVIII Cleofe Person de Mattos. Rio de Janeiro: PUC, FUNARTE, XEROX, 
1978. 454p. 

CARDOSO, André. A música na capela real e imperial do Rio de Janeiro. Rio de 
Janeiro: Academia Brasileira de Música, 2007. 202p. 

CASTAGNA, Paulo. Uma análise paleoarquivística da rela§áo de obras do arquivo 
musical de Floréncio José Ferreira Coutinho. VI ENCONTRO DE 
MUSICOLOGIA HISTÓRICA. Juiz de Fora: Centro Cultural Pró-Música, 22-25 
de julho de 2004. Anais. Juiz de Fora: Centro Cultural Pró-Música, 2006. 

. O estilo antigo na prática musical religiosa paulista e mineira dos séculos 

XVIII e XIX. Sáo Paulo, 2000. Tese (Doutoramento) - Faculdade de Filosofia, 
Letras e Ciéncias Humanas da Universidade de Sáo Paulo. 3v. 

. Gabriel Fernandes da Trindade: os Duetos Concertantes. II ENCONTRO 

DE MUSICOLOGIA HISTÓRICA, Juiz de Fora, Centro Cultural Pró-Música, 
julho de 1996. [Anais]. Juiz de Fora, Centro Cultural Pró-Música, Petrobrás, 
Universidade de Juiz de Fora, [1997]. p. 64-1 1 1. 

. Pesquisas iniciais sobre os mestres da capela diocesanos no Bispado de 

Mariana (1748-1832). V ENCONTRO DE MUSICOLOGIA HISTÓRICA, Juiz 



Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



28 



de Fora, 19-21 jul. 2002. Anais. Juiz de Fora: Centro Cultural Pró-Música, 2004. 
p.55-76. 

GABRIEL, Vitor. Patrimdnio, inventário e heranga: a posse de mestres de capela na 
Sé de Sáo Paulo no século XIX. VI ENCONTRO DE MUSICOLOGIA 
HISTÓRICA. Juiz de Fora: Centro Cultural Pró-Música, 22-25 de julho de 2004. 
Anais. Juiz de Fora: Centro Cultural Pró-Música, 2006. p. 125- 137. 

OLIVEIRA, Manoel Dias de (atribuído a). Te Deum em ré maior; restauracáo e revisáo 
de José Maria Neves. Belo Horizonte: Escola de Música da Universidade Federal 
de Minas Gerais, 1989. 64p. (Colecáo Música Brasileira, v.l) 

PIO X. Motu Próprio de S.S. Pio X sobre a musica sacra. Boletim Ecclesiastico, 
Mariana, ano 3, n.4, p. 15-24, jan., fev., mar. 1904. 

REZENDE, Maria da Conceicáo [de]. Museu da Música da Arquidiocese de Mariana: 
Arquivo de música dos séculos XVIII e XIX. I ENCONTRO NACIONAL DE 
PESQUISA EM MÚSICA, Mariana, MG, 1 a 4 de julho de 1984. Anais. Belo 
Horizonte, Departamento de Teoria Geral da Música da Escola de Música da 
UFMG e Museu da Música da Arquidiocese de Mariana [Imprensa Universitária], 
[1985]. p.55 e segs. 

. A música na história de Minas colonial. Belo Horizonte: Itatiaia; Brasília: 

Instituto Nacional do Livro, 1989. 765p. 

REZENDE, Carlos Penteado de. Cronologia musical de Sáo Paulo (1800-1870). In: 
[PREFEITURA DO MUNICÍPIO DE SÁO PAULO]. IV Centenário dafundagáo 
da cidade de Sáo Paulo: Sáo Paulo em quatro séculos. Sáo Paulo: Comissáo do 
IV Centenário da Cidade de Sáo Paulo, 1954. v.2, p.233-268. 

RIBEIRO, Wagner. Visita ao maravilhoso reino da música antiga mariananese. O 
Arquidiocesano, Mariana, ano 8, n.358, p.1-3, 24 jul. 1966. 

SCHWARCZ, Lilia Moritz. A longa viagem da biblioteca dos reis. Sáo Paulo: 
Companhia das Letras, 2002. 560p. 

TRINDADE, Cónego Raimundo. Arquidiocese de Mariana: subsídios para sua história. 
2 ed., Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1953-1955. 2v. 

6. Apéndice 

6.1. Relacáo dos manuscritos musicais transferidos ao mestre da capela José Felipe 
Corréa Lisboa após o falecimento de seu antecessor Joáo de Deus de Castro 
Lobo (c. 1832). 14 Transcricáo atualizada. 

"Lista das músicas pertencentes á Catedral, que náo foram entregues ao atual Mestre da 
Capela, o Senhor Quartel Mestre José Felipe Corréa Lisboa, por falecimento do Padre Mestre Joáo 
de Deus: 

1. Os Responsórios de Defuntos por David Peres 

2. Todo o Ofício de Defuntos por José Joaquim Emerico 

3. Responsórios de Defuntos pelo Padre Joáo de Deus 

4. As 3 Ligdes a solo dos Ofícios da Semana Santa por José Joaquim 



Museu da Música de Mariana, originalmente encontrado na antiga pasta [147]A1G4P08, 
documento 28. Folha solta de 31,0 x 21,3 cm, marca AL MASSO, tendo no verso somente o nome 
"Gabriel de Castro Lobo" . Trata-se de um documento que, de acordo com informacoes verbais de Maria 
da Conceicao de Rezende, a responsável pela organizacao do Museu da Música entre 1972-1984, foi 
encontrada no interior do órgao da Catedral de Mariana, no início da década de 1970. Deve datar de 1832 
ou pouco depois, já que esse é o ano de falecimento do mestre da capela Joáo de Deus de Castro Lobo. A 
lista já foi impressa, com algumas diferencas de transcricáo, em duas publicacoes: REZENDE (1985, 
p.55) e REZENDE (1989, p.593). 

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5. As Novenas da Conceigáo e Matinas ditas 

6. Os Ofícios velhos da Semana Santa e os 2 Responsórios de Sábado da Aleluia 

7. A Sinfonia fúnebre pelo Padre José Maurício 

8. Caixa do rabecao e arco. Declara-se que existe a caixa, nao o arco 

9. O Hino do Espírito Santo Veni Creator Spiritus 

Todas estas músicas foram pagas pela Fábrica da Catedral e por Sua Exceléncia 
Reverendíssima, cópia e papel, o que tudo consta dos Livros da Fábrica de Receita e Despesa á 
f.152, ter pago o Cdnego Fabriqueiro o seguinte: Pagou ao Padre Mestre Joao de Deus da 
renovacáo das músicas das festividades da Sé, por ordem de Sua Exceléncia Reverendíssima - 
45$000." 15 

6.2. Relacáo de músicas da Semana Santa devolvidas pelo Mestre da Capela 

Cónego Julio de Paula Dias Bicalho ao Procurador da Irmandade do 
Santíssimo Sacramento (antes de 30/3/1882). Transcricáo diplomática. 

Musicas da Semana Sancta, que en 
trego ao Senr.' Procurador do SS. Sacra 
mento, Fernando Antonio d'Almeida, e 
que me deverá reentregar na 2. a feira de 
Paschoa - Pertencem á Cathedral- 

Monsenhor C.° Julio Bicalho 

Domina Palmarum 
Tiple - Alto - Tenor - Baixa - Baixo 

Sexta Feira Sancta 
Tiple - Alto - Tenor - Baixa - Baixo 

Benedictus e Miserere 
Tiple - Alto - Tenor - Baixa - Baixo 

Quinta Feira Sancta 
Ego enim - Tiple - Violeta l a e 2 a - Baixo 

Procissáo dos Sanctos oleos 
Suprano - Alto - Tenor - Baixa 

Domine, tu mihi lavas pedes 
Tiple - Alto - Tenor - Baixa - Acompanhamento 

Recebi as muzicas supras 
Marianna, 30 de Marco 1892 
Fernando Antonio de Almeida 16 

6.3. Relacáo de músicas em poder do músico Manoel António de Sousa Mineiro 

(7/11/1882). Transcricáo diplomática. 

Musicas pertencentes a Cathedral 
que estáo em meo poder. 
Matinas do Natal Completas 
Officio de Ramos " 

ditas de José Joaquim Semana Santa om° 
musicas pertencentes a Semana Santa 
Como seja Benedictus e Miserere musica p. a 



A informacáo "Ao Padre Mestre Joáo de Deus da renovacáo das músicas das festividades da Sé, por 
ordem de Sua Exceléncia Reverendíssima - 45 $000", referente a um pagamento realizado em 1826, 
consta em: Livro de Receita e Despesa da Fábrica da Catedral de Mariana: 1749-1869, f,152v/ 144v 
(AEAM - códice P-ll, sala 20). No mesmo códice (f.l50/142r), existem os seguintes lancamentos sobre o 
"rabecáo" da Catedral, referentes ao ano de 1822, aqui transcritos com atualizacáo ortográfica e da 
pontuacáo: "A Manoel Francisco, de por tampo novo no rabecáo da Fábrica e envernizado - 5$000" e "A 
Manoel José de Magalháes do aparelho de cordas e caixa para o rabecáo - [...]". 
16 Estas trés últimas linhas foram redigidas por Fernando António de Almeida. 

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lava pedes a doracao da Cruz p a a 

bencao dos santos Oleos. 

Matinas do Espírito Santo mau estado 

ditas da Ressurreicáo 

Tedeum pequeno 

Magnifica mau estado 

Officios de Jerónimo p a Semana Santa 

mas em mau estado que precisa muito copiar-se afim de náo se perder musica 
tao boa. 

Marianna 7 de novembro de 1882 
Manoel Antonio Sousa Mineiro 

6.4. Registros de doacáo de músicas á Catedral de Mariana por José de Souza 
Teles Guimaráes (23/11/1882 e 30/11/1882). Transcricáo diplomática. 

- Registrado no L° competente. - 

Exm.° e Rvm.° Senr.' - Comprehendo a obrigacao, que tenho como beneficiado 

de concorrer para o esplendor do culto na Cathedral, tenho feito piquenas offertas, 

com que apenas provo nutrir boa vontade: sendo os objectos mais resentes, uma 

coróa dourada com pedras diversas, que se acha sobre a Imagem de NoSsa Senho- 

ra do Carmo do Altar Mor, e um Relicário do mesmo gosto com relíquia in 

signe da Vera Cruz e sua competente authentica. Confirmando-me nos mes- 

mos sentimentos, e pretendendo reparar algüas faltas que por ventura tenha havido no 

cumprimento de minhas obrigacoes, offereco a V. Ex. cia Rvm. a uma caixa de muzicas 

contendo cento e sessenta e quatro - 164 - pecas escolhidas dos milhores Auctores conhe 

cidos, para uzo da Cathedral, no valor de quinhentos mil reis 500$000 r.\ Te- 

nho a honra de passar as máos de V. Ex. cia a lista nominal de todas as pecas e es- 

pero que V. Ex. cla dará as providencias para que as ditas muzicas sejao acondicio 

nadas e zeladas de modo que se prestem ao fim proposto. - Deus Guarde a V. Ex. cla Rvm. a 

Illm.° Ex. m0 Senr.', digo, Rvm.° Senr.' D. Antonio Maria Correa de Sá e Benevides, 

M. D. Bispo desta Diocese. - Arcediago José de Souza Telles Guimaráes. Marian- 

na 23 de Novembro de 1882. 

Palacio Episcopal de Marianna, 30 de Novembro de 1882. - 111. mo e Rvm.° Senr.' Conego 
Arcediago. - As muitas provas do zélo e dedicacáo com que V. Rvm. a serve a Sancta Egreja 
Cathedral de Marianna, veio dár novo realce o valioso offerecimento de cento e sessenta e qua- 
tro pecas de Musicas dos melhores Auctores, para uso da mesma Sancta Egreja Cathedral, sen 
do estas musicas avaliadas em mais de quinhentos mil reis. + Em meu proprio nome e no 
do 111 m0 e Rvm.° Cabido da Sancta Egreja Cathedral de Marianna, agradeco a V. Rvm. a , náo 
só esta recente manifestacao do empenho com que V. Rvm. a contribue para o explendor do culto n'es 
ta Diocese, como todas as antecedentes manifestacoes demonstradas pelos valiosos donativos fei- 
tos por V. Rvm. a á Sé de Marianna, sendo entre outros a Coróa que está em Nossa Senhora do 
Carmo do altar Mor, e o Relicario com o Sancto Lenho e competente authentica. Ao mesmo tempo 
que agradecemos todos estes servicos, pedimos a Nosso Senhor Jesus-Christo que se digne de re 
compensar a V. Rvm. a com as mais abundantes Gracas do seu inexhaurivel e Amantissimo Co- 
ra^áo. - Deus Guarde a V. Rvm. a . - uma cruz - Antonio Bispo de Marianna - Ill. mo e Rvm.° Senr.' 
Conego Arcediago José de Souza Telles Guimaráes. 



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6.5. Carta do Cónego Júlio de Paula Dias Bicalho ao Cabido da Catedral de 

Mariana (13/12/1882). Transcricáo diplomática. 

Secretaria do Bispado de Marianna, 13 de Dezembro de 1882 17 
Illm.°eRvm.° Senr.' 18 

Passo ás maos de V. Rvm. a copia do officio, que o Rvm.° Senr.' 
Presidente do Cabido, Arcediago Telles, a 23 de 9br.° pp., enderecou a S. Ex. a Rvm a , 
offertando-lhe 164 pecas de musica 1 no valor de 500$000 rs. - para uso da Cathedral, 
e communicando-lhe ainda ter, há pouco, offerecido uma coróa de metal com pe 
dras de cores para a Imagem de N. S. do Carmo do Altar mor do coro, e uma reliquia 
authentica do Sancto Lenho em uma custodia de metal do mesmo gosto que a coróa. 

Como deseja S. Ex. a Rvm a que em todo tempo conste a generosa dadiva, que 
o Rvm.° Senr.' Arcediago acaba de fazer a Sé, ordenou-me que lhe remetesse co 
pia do dicto officio e de sua resposta e agradecimento para que V. Rvm. a regis- 
tre toda esta correspondencia no Livro Competente do Cabido e bem assim o theor 
da authentica, que foi acompanhando o Sancto Lenho, devendo o mesmo 
Rvm.° Cabido ser de tudo inteirado por V. Rvm. a na primeira Sessao, que occor 
rer. - 

Deus Guarde a V. Rvm. a 

Illm.° e Rvm.° Senr.' Conego Antonio Augusto da Silva Lagóa, M. D. 
Secretario do Rvm.° Cabido de Marianna. 

O Secretario do Bispado. 

Cónego Julio de Paula Dias Bicalho 

6.6. Lista das músicas da Catedral de Mariana entregues ao Procurador da 

Irmandade do Santíssimo Sacramento (25/3/1897). Transcricáo 
diplomática. 

Lista das Musicas da Cathe 
dral entregues ao P. e Procurador 
do S.S. Sacramento, Agostinho 
Dias Baptista - 
Officio de Domingos de 
Ramos 



Matinas de 5. a Feira Sancta 
8. a Licáo - Ego enim 

Quarteto da Sagracáo dos óleos 
Dicto de Lava-pedes 
Benedictus e Miserere 



Matinas de Sexta Feira Sancta 

Missa - 8. a Licáo - Adeamus 



Matinas de Sabbado Sancto - 
Officio do Espírito St.° p a - Alleluia 
Magnificat e Te Deum 



Domingo da Resurreicao 
Matinas da Resurreicaó 



O cabecalho desta carta foi preenchido no impresso: "Secretaria do Bispado de Marianna, de de 

188_". 

18 A caneta vermelha, caligrafia da segunda metade do século XX: "Doagao de/Mons. Teles". 

19 A frase "764 pegas de musica" foi sublinhada com caneta vermelha. 

Anais do VIII Encontro de Musicologia Histórica (Juiz de Fora, 18-20 jul. 2008), 2010. p.72-76 



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Marianna, 25 de Marco de 1 897 
Recebi as Musicas supras 
Agostinho Dias Baptista 20 



6.7. Lista Geral de Todas as Músicas (c.1882). Transcricáo diplomática. 

[f.lr] 

Lista Geral de todas as musicas 
As pecas seguintes: - 

Musicas de endoencas 

1. ° Officio de 4 fr. a de Cinza 

2. ° MiSsa ferial para Domingo de Ramos 
3 Textos p. a o mesmo dias 

4. ° Asperges - p. a o m. mo dias 

5. ° Todo officio deste dias 
6° Bencao dos Ramos 

7° Procissao de Ramos 

8. ° Outra MiSsa do m. m0 officio 

9. ° Officio p. a 4 a fr. a de Trevas 
10 dito p. a 5 a fr. a sancta 
11"" 6. a fr" 

12 Licoes p. a 6. a fr 3 da Paixao 

13 Antiphonas pr 3 Benedictus e Miserere de 4. a 5. a e 6 a fr. a sancta 

14 Officios Copiados de novo p. a 4. a e 5. a fr. a 

15 Andato Mandatum p. a 5. a fr. a santas 

16 Graduale e Offertorio p. a 5. a fr. a Maior 

17. " " de outro autor 

18. " " de outro autor 

19 Bradados p. a 6. a fr. a da Paixao 
20. " " " de outro auctor 

21 Venite adoremus p. a 6. a fr. a santa 

22 Novo officio de Ramos 

23 Adoro te devote' p. a 5. a fr. a santa 

24 Gloria Laus p. a Domingo de Ramos 

25 In pace p. a 6. a fr. a santa 

26 Eu - prociSsao do interro 

27 Domine tu mihi lavas pedes p. a 5. a fr. a santa 

28 Tratus p a Domingo de Palmas 
[f.lv] 

29 Adoracao da Cruz 

30 Deum verum - adoracáo do sepulchro 

3 1 Hymno á N. Senhora das Dores 

32 Miserere ferial 

33 Tractus Sabbado Santo 

34 MiSsa e Gradual p. a o m. mo dia 

35 Gradual p. a o m mo dia 

36 Tractus e MiSsa p. a o m. mo dia 

37 magnificat 

38 Matinas da Resurreicáo 

39 Dito dito de outro autor 

40 Introito e Gradual p. a o m. mo dia 

41 Gradual e Offertorio p. a " " 

42 Motetos p. a procissao de Passos 



Estas duas linhas redigidas por Agostinho Dias Batista. 

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Graduais e Offertorios 

43 Gradual - fugida p. a o Egypto 

44 " " " Santa Barbara 

45 " do Anjo Custodio 

46 Vidi aquam 

47 Invitatorio de N. Senhora 

48 Sicut caedrus 

49 Tota pulchra 

50 Salve Regina 

5 1 Si quaeris miracula 

52 Populi facti sumus 

53 Gradual do Espírito santo 

54 " p. a Todos os santos 

55 Beatam me dicent 

56 Selecta Chrisma - Ecce sacerdos 

57 Justus ut palma florebit 

58 Tota pulchra 

59 Assumpta est 

60 O flos Carmeli 
[f.2r] 

61 Domine, ad adjuvandum 21 

62 Ave Regina 

63 Benedicite Dominum 

64 Domine exopo 

65 Occuli - omnium 

66 Exaltata est 

67 sacris solemnis 

68 Ave Regina Caelorum 

69 Gradual p. a S-S Santo Antonio 

70 Congratulamini omnes 

71 Cantico p. a Communhao da 5 a fr. a santa 

72 Gradual do Espírito Santo 

73 Invitatorio da Resurreicao 

74 Beata mater 

75 Antiphona de S. ta Rita 

76 Si quaeris miraula miracula 

77 In honorem BeatiSsime 

78 Regina coelitare laetare 

79 Cantico de Santa Rita 

80 Magnificat 

81 Tota pulchra 

82 Os justi meditabitur 

83 Domine exopo 

84 Responsorio cum transiSsé 

85 Antiphona de S. Sebastiao 

86 Vidi aquam 

87 Domine adjuvandum 

88 Regina Caeli laetare 

89 Tristis est anima mea 

90 Domine exopo 

91 Benedicta et venerabilis est 

92 Officio de Natal 

93 Traditor autem ou Miserere 
[f.2v] 

94 Um Officio de Ramos (velho) 

95 Responsorio de S. Caetano 

96 Canticos de Natal 



Vírgula cortada e 'W' acima da linha do texto. A primeira redacao era "Domine, adjuvandum". 

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97 Constitues eos príncipes 

98 Matinas do Esp. t0 Santo 

99 Cum complerentur 22 

Novenas - Novenas 

100 Trezena de S. Franc.° de Paula 

101 Novena de N. Senhora do Amparo 

102 " " S. Sebastiao 

103 " " do m. mo santo 

104 " " " " santo 

105 " " Senhora S. Anna 

106 " " Senhora da Conceicao 

107 " " " " " 

108 " " " " " 

109 Matinas da Senhora do Bom SuceSso 

1 10 Te Deum - Grande 

1 12 Te Deum - seguido 

113 Psalmo p. a anginhos 

114 Encommendacao p. a parvulos 
115""" 

116 Officio de defunctos 
117""" copiado de novo 

- Ladainhas 

118 Ladainha de NSenhora do carmo 

119 " " de Sustrino 

120 " " de J. e Joaquim 

121 " " deumbmol 

1 22 Ladainha em terceto 

123 " " deRoma 

124 " " de Leal 

125 " " Jeronymode Sz. a 



Registrado no espaco entre a entrada anterior e o subtítulo "Novenas", com a mesma caligrafia. 

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